“Certa vez, trouxe o artista até minha casa, em São Paulo, e registrei por escrito a breve entrevista, feita em agosto de 2000:
Elisabeth: O que o senhor acha de adequar uma exposição, no caso, a sua, para o público especial?
Sacilotto: Excelente, por incrível que possa parecer. Não conhecia esse tipo de atuação. Só tive o primeiro contato agora, mas o alcance disso é muito grande.
Elisabeth: Sua obra é baseada em ‘pura visibilidade’. Ao fazermos réplicas de seus trabalhos, eles não serão mais os mesmos, pois perderão a aura original. O senhor concorda com isso?
Sacilotto: Isso não fere a obra do artista, muito pelo contrário. Fará com que outros que até então não teriam a oportunidade de conhecer meu trabalho o façam agora. Não há impedimento algum. Não há duas pessoas que enxerguem a mesma coisa da mesma maneira, mesmo entre os que têm visão normal.
Elisabeth: Tenho a intenção de ampliar a exposição acrescentando as réplicas de suas esculturas, relevos táteis, dobraduras, e elaborando um material lúdico a ser utilizado por visitantes em um ateliê montado para isso, tudo baseado em seu trabalho.
Sacilotto: Faça o que achar conveniente. Para mim, vale tudo. Não no sentido pejorativo, mas no esforço da comunicação. Isso será uma aventura.
Foi uma grande aventura, tanto que o ateliê foi chamado de ‘Uma aventura com Sacilotto’. Nos dois meses em que a mostra esteve na Unicid, ele participou da maior parte das visitas feitas pelos deficientes visuais. Vibrava e sentia-se emocionado por ver seu trabalho ser sentido via comunicação tátil.”