LS0432
Sem título, 1979
Material, Técnica, Suporte
guache sobre papel
Dimensões
65,5 x 65,5 cm
Outros títulos
Gua 0242 Cinético
Local de Produção
Santo André, SP - Brasil
Inscrições
da assinatura: c.i.d. Sacilotto [grafite]
data de produção: c.i.d. [19]79 [grafite]
outras inscrições de punho: c.i.d. guache [grafite]
Excertos de Texto
- “Há, em algumas dessas composições sobre papel, sem dúvida, rebatimentos da optical art fundada na metade dos anos 60. Impossível olhar para trabalhos como Abstrato 236 ou Abstrato 242 sem observar a sutil compressão ou expansão de módulos que promovem volumetrias virtuais, esculpindo na superfície plana do papel ilusões de profundidade, em torções e extensões infinitas.
Essas ambiguidades de percepção são ainda mais admiráveis pelo fato de terem sido feitas com instrumentos simples: régua e lápis.” MORAES, A. 2001, [p. 5] - “A opção por obras monocromáticas [em meados da década de 1970] se deve a que por meio delas é possível evidenciar o princípio binário que rege as estruturas de suas criações, uma alternância de luz e sombra, cheios e vazios, figura e fundo que se interconectam proporcionando um rico universo perceptivo. [...].
Os guaches de 1976 evidenciam a construção espacial por rede, [...] explícita [...] [também na obra sem título]. Trata-se de um tecido constituído de linhas e espaços que constrói um universo ativo interdependente.” DELLA ROCCA, R. 2004, p. 68 - “O pintor Luiz Sacilotto (1924-2003) está presente na Coleção Simon com duas obras paradigmáticas de seu método matemático, compressão espacial e expansão do tempo como se vê em C 7452 (1974) e Gua 0242 (1979). [...]. As estruturas ópticas se organizam de maneira coesa para produzir a percepção de movimento virtual. A superfície é um campo vibrátil, como nas obras da Coleção Simon.
[...]
A geometria de Luiz Sacilotto se assenta sobre estruturas baseadas em rígidos esquemas matemático-visuais, que, por sua vez, são capazes de oferecer certos jogos gestálticos de percepção, calculáveis e previsíveis. Por isso, o tempo se assegura em bases objetivas e precisas, não calcadas na experiência subjetiva de duração. Sua pintura, como nos casos de seus quadros na Coleção Simon, são operações visuais para o nervo óptico. Seu expediente óptico pede um dispêndio de energia muscular pelo olho para a contemplação. O segredo está em induzir o jogo óptico a exercer uma força de sedução ao olhar de cultura mediana. Magicamente, em alguns de seus quadros, o espaço se dilata, se expande em direções côncavas e convexas pelas variações dimensionais das formas matemáticas. Podem ser encontradas relações de espaços negativos e positivos em preto e branco; vazios de luz e escuridão; ritmos de alternância/ descontinuidade/ ruptura/ equivalência/continuidade da forma; distorções e movimentos resultantes da rotação de triângulos (Gua 0242, 1979). O olho é o espaço da malha dos exercícios da forma saltimbanca.” HERKENHOFF, P. 2023, p. 21-22 - “...as obras de Sacilotto, C 7452 (1974) e Gua 0242 (1979), criam jogos ópticos maximizados pelo uso de um único elemento monocromático, uma ambiguidade espacial que estabelece um movimento virtual.” HERKENHOFF, P. 2023, p. 71
- “C 7452 (1974) e Gua 0242 (1979) são trabalhos de Luiz Sacilotto posteriores à época do Ruptura. [...] A década de 1960 representa um hiato na produção do artista, que se recolhe da cena cultural para se dedicar à família e ao trabalho na indústria. Retorna já nos anos 1970, com uma pesquisa reorganizada a partir da sensação óptica. Os princípios concretos se mantêm presentes: a matemática como possibilidade de compreensão e produção universal, e a intenção de que as obras sejam elas mesmas pensamentos - e não a representação de uma ideia. Aqui também vemos uma matriz quadriculada que divide o espaço do quadro e que é trabalhada no sentido de estruturá-lo. A diferença de seus trabalhos anteriores parece residir no investimento em subdividi-la em espaços menores, dando uma impressão de distorção do plano que passa a vibrar e ondular. Não se trata, porém, de uma sensação aleatória, uma vez que ela segue uma regra, mas de uma aproximação entre o raciocínio que fundamenta a construção e o acontecimento, o fenômeno. Entre a ideia e sua apreensão por quem vê.” HERKENHOFF, P. 2023, p. 90-91
- “Analisemos agora a obra [...], de 1979, guache sobre papel.
[...] Propõe espaços iguais espelhados quatro vezes, formando uma cruz central que une e delimita quatro quadrados, formadores por sua vez de um quadrado maior disposto sobre um suporte, também quadrado. A medida das linhas de composição diminuem gradativamente, até sua quase supressão para uma nova expansão.
[...] Aqui as medidas se repetem, estabelecendo o desdobramento de um período no mesmo estado, mesmo tempo, para em seguida penetrar em outro, outro e outro, até se tomar apenas linha e repetir inversamente. A permanência em cada medida e a sua sucessão estabelecem um ritmo. Há uma aceleração do tempo de passagem de um campo a outro, que se toma cada vez mais curto.
A divisão de cada vazio da rede pela dualidade luz/sombra potencializa a relação espacial. Embora os quatro quadrados contenham a mesma rede compositiva, podemos notar diferenças de fluxo entre as duas diagonais. [...].
A combinação dessas duas configurações gera uma ambiguidade, que se realiza num fluxo de duplo sentido e de ritmos contrastantes. O fruidor é tragado ao
centro da composição para, em seguida, ser expelido para as bordas. [...]
Mergulho e flutuação. Profundidade e superfície. A obra inspira e expira, criando uma virtualidade de movimento e espaços particulares, coletivos, relacionais.
Ao construir a rede passo a passo o artista começa um jogo perceptivo em que a apreensão elemento/espaço é construída e, em seguida, destruída para se reconstruir com outras propriedades. O olho capta a totalidade, perde-se em cada fração e é aprisionado pela virtualidade espaço-temporal criada a partir de tramas lúdicas, responsáveis pelo surgimento de uma perspectiva cinética virtual, estabelecida não por força externa, um motor real, e sim pela própria relação dos elementos compositivos que se apresentam iguais e diferentes a cada novo instante.” DELLA ROCCA, R. 2004, p. 80-84
Exposições
Fontes de Pesquisa
Livros
- MATTAR, D. 2021. p. 126 ficha técnica da obra e reprodução: cor.
Antologias de Coleções
Catálogos de Exposições Individuais
Catálogos de Exposições Coletivas
Produção Acadêmica