LS0212
Paralelas iguais com efeitos diferentes, 1953
Material, Técnica, Suporte
esmalte sobre madeira
Dimensões
59,5 x 59,5 x 1,5 cm
Local de Produção
Santo André, SP - Brasil
Inscrições
da assinatura: c.e. Sacilotto [grafite (?)]
título | identificação da obra: v.c. Paralelas iguais / com efeitos diferentes [crayon]
data de produção: c.e. [19]53 [grafite?]
data de produção: v.ac.c. 1953
carimbo: v.ab.c. 0146 / 0146
Excertos de Texto
- “‘Paralelas iguais com efeitos diferentes’, de 1953, já é concebida com o quadro na diagonal, com os mesmos elementos lineares (azuis e vermelhos) na horizontal, cruzando-se nos cantos esquerdo e direito transversalmente.” SACRAMENTO, E. 2001, p. 70-71
- “Na época era muito difícil num quadro ser apresentado dessa forma: diagonal. Depois, tinha outro particular: uma série de paralelas [...]. Aqui o laranja está por sobre o azul e, aqui, o azul está sobre o laranja. Essa troca [é] tão sensível que quem olha apressadamente não vai perceber.” SACILOTTO. 1995, 22:30
- “O movimento e o contraste presentes em "Paralelas iguais com efeitos diferentes" questionam a clássica ortogonalidade da arte ocidental. As linhas cortam o aparente equilíbrio entre os dois triângulos pretos e também compõem um grande contraste no centro da obra pelo antagonismo cromático presente na mesma. A obra contém uma sensibilidade que captura o olhar do observador, que deve descobrir a beleza sutil das formas puras (Moraes, 2013, p. 50). Tal sensibilidade não foi renunciada por Sacilotto, apesar de seu grande rigor formal, por sempre se manter interessado em experimentações de diversos materiais e técnicas (Caetano, 2003 apud Sacilotto, 2014).” FUCHS, I. 2015, p. 47
- “O trabalho é elaborado a partir de um movimento — no quadrado que sustenta a articulação dos elementos da pintura — e se insere em um questionamento da tradicional ortogonalidade da pintura ocidental. Para além das formas e cores, observam-se as linhas — azuis e vermelhas — que constroem uma espécie de demarcação dos planos superior e inferior. Elas cortam a diagonal que instaura um equilíbrio aparentemente delicado ao dividir a composição, apenas sustentada pelo insinuado triângulo isósceles formado pelo corte das mesmas linhas. Quase mágico, na sua afirmação de racionalidade, ou talvez seja possível dizer místico.
A imagem visível é valorizada e acentua-se pelo alto contraste das cores que a compõem — o preto e o branco, o vermelho e o azul. E, exatamente por trabalhar com a dualidade semelhança-oposição, produz um processo de segregação que afirma as unidades, enquanto constrói o conjunto. Assim, aos pares e por semelhança-oposição, a composição se apresenta como una e indissolúvel, ao mesmo tempo em que afirma cada um dos seus componentes.
O feixe de simétricas e equilibradas linhas azuis corre da esquerda para a direita e, ao chegar ao outro lado da superfície que ali adivinhamos, parece lançar-se no espaço, sobrepondo-se às linhas vermelhas que, em posição simetricamente inversa, parecem mergulhar do espaço pelo mesmo lado esquerdo da tela para, a seguir, correr placidamente em direção à margem direita do quadrado que ela divide em dois triângulos negros iguais. O desafio ao olhar continua nas sobreposições e submissões recíprocas dos feixes de linhas, nos cantos opostos, onde cada feixe forma, ainda, dois pequenos triângulos retângulos isósceles brancos e opostos, em sentido e direção. A eles se somam — dois a dois — quatro outros triângulos igualmente brancos, mas quase camuflados pela sobreposição das linhas, em operação semelhante ao procedimento que domina a composição balanceada e equilibrada.
Uma vez mais, a experiência se afirma como modo de operar na sensibilidade do observador, cativando-o, capturando seu olhar em jogos que pretendem afirmar a potencialidade de cada um dos elementos constitutivos. A composição propõe ao olho e à sensibilidade o desafio de reorganizar e reestruturar os elementos em busca de uma forma outra. Uma forma que ali está em potência, em vitalidade, em força de criação que só se concretiza com a participação do outro, aquele que está diante e disponivel para descobrir a afirmação da beleza das formas puras.” MORAES, M. 2013, p. 50 - “Paralelas iguais com efeitos diferentes, de 1953, já é concebido com o quadro na diagonal, com os mesmos elementos lineares (azuis e vermelhos) na horizontal, cruzando-se nos cantos esquerdo e direito transversalmente. Com linhas retas que se interpenetram na horizontal, Sacilotto criou alguns trabalhos de grande equilíbrio e beleza.” MACHADO, M. 2003, p. 63
Fontes de Pesquisa
Livros
- MARTINS, L. 2018. p. 54, 297 citação sobre a obra.
- MATTAR, D. 2021. p. 76 ficha técnica da obra e reprodução: cor.
- MORAES, M. 2013. folha de rosto reprodução de obra: cor.
- MORAES, M. 2013. p. 50-51 ficha técnica da obra e reprodução: cor.
- SACRAMENTO, E. 2001. p. 66 ficha técnica da obra e reprodução: cor.
Catálogos de Exposições Individuais
Publicações Periódicas
- LUIZ Sacilotto. jun. 1995. reprodução de obra: cor.
Produção Acadêmica
Vídeo/CD-ROM/DVD