LS0151
Paisagem, 1948
Material, Técnica, Suporte
óleo sobre tela
Dimensões
31,5 x 40,5 cm
Outros títulos
Paisagem (Casa na Estrada do Vergueiro, SBC)
Local de Produção
Santo André, SP - Brasil
Inscrições
da assinatura: c.i.e. Sacilotto
data de produção: c.i.e. 948
título | identificação da obra: v.ac.c. PAISAGEM [grafite]
Excertos de Texto
- “Em seguida temos três paisagens do ABC, de autoria de Luiz Sacilotto, realizadas na década de 40, igualmente magníficas e elucidativas de seu percurso em direção ao geometrismo, à arte concreta, que o projetaria, na década seguinte, como um dos mais importantes artistas brasileiros.” SACRAMENTO, E. 1989, [n.p.]
- “Há sinais de síntese formal e geometrização na pintura da paisagem reproduzida à página 41 e, sobretudo, na "Paisagem" da página 43, referenciada numa casa localizada na Estrada do Vergueiro. Nela, a residência, geométrica por natureza, é recriada quase como um projeto. Paredes, portas, janelas e áreas são delimitadas por uma grossa linha escura, transformando esta paisagem na mais estruturada dentre as realizadas por Sacilotto na década de 1940.” SACRAMENTO, E. 2001, p. 44
- “[Esta] é uma paisagem na estrada do Vergueiro [...] na divisa de Santo André com São Bernardo. [...] pintei uma série de paisagens que já estão fora da Vila Assunção.
Tinha um amigo, que também era pintor, infelizmente morreu, José Onda. Era meu companheiro, saíamos para pintar paisagens, a essa paisagem ele também foi.” MURAL do artista. 2000, 39:00 - “O quadro "Paisagem" (Casa na Estrada do Vergueiro, SBC) explora uma representação mais pictórica e articulada através da cor. Assim, Sacilotto inicia a sua libertação da pintura voltada à realidade. A casa retratada pelo pintor se constrói através de linhas retas delimitadoras e estruturadoras, mas sem qualquer tipo de rigor formal (Moraes, 2013, p. 38).” FUCHS, I. 2015, p. 44
- “As pinturas e paisagens que encerram a década de 1940 inscrevem-se como clara transição da fase de interesses figurativos e expressionistas para as experimentações da simplificação das formas, redução dos planos, geometrização dos objetos e libertação do determinismo dos temas e do assunto, mediante a afirmação da autonomia dos processos de criação.
"Paisagem" (Casa na Estrada do Vergueiro, SBC) insere-se nesse conjunto de explorações pictóricas, nas quais os objetos como a casa, as portas, janelas e telhados vão sendo articulados em formas geométricas, mas ainda emoldurados por planos de cor, matérias cromáticas indefinidas, gestos expressivos de tinta, mesclados às tentativas de síntese visíveis.
Sacilotto inicia uma trajetória rumo à libertação da pintura em relação aos objetos da realidade. Esse percurso, porém, insinua-se ainda timidamente nesta paisagem que parece construir-se sobre planos sucessivos, tendo, de um lado e ao fundo, o predomínio de relações contrastadas de azul, violeta e verde. Do lado oposto, mas em primeiro plano, as áreas manchadas de verde — definindo as árvores — contrastam com o vermelho, que se imiscui entre as ramas e os galhos.
As linhas retas e delimitadoras que estruturam a casa parecem assumir seu papel estruturador, vindo à tona e se sobrepondo ao objeto mesmo. Essa articulação pode ser entendida como afirmação da simplificação e geometrização. Embora sem igual rigor formal, ela se estende ao tronco das duas árvores à direita, mais um indício e asserção do processo experimental e de transição pelo qual o artista envereda, em uma jornada que se mostrará sem retorno, na busca pela geometrização e pela arte concreta.
"Paisagem" (Casa na Estrada do Vergueiro, SBC) é acompanhada por uma série de monotipias abstratas e de orientação construtiva, além de outras pinturas em que aparecem figuras humanas simplificadas, naturezas-mortas geometrizadas e paisagens de transição, bem como telas denominadas de composições, em que os processos de estruturação e abstração geometrizante se fazem mais presentes.” MORAES, M. 2013, p. 38 - “[...] é extremamente pertinente notar a progressão da matriz expressionista para o vocabulário da arte concreta de um artista como Sacilotto. Isso fica evidente na transição da exuberância cromática de "Paisagem" (Casa na Estrada do Vergueiro, São Bernardo do Campo), 1948, para "Composição", 1948, que envolve uma série de retângulos, quadrados e formas circulares articulados por grossas linhas pretas — uma clara reminiscência das grades de Mondrian. A evolução de Sacilotto no uso da cor culminou em obras como "Articulação complementar", 1952, um trabalho extraordinário no qual as progressões de quadrados multicoloridos, à maneira das composições "Boogie-Woogie" de Mondrian, ativam a incomum superfície negra, trazendo de forma proeminente uma proposta de arte concreta. [Mari Carmen Ramírez]” OLEA, H. 2009, p. 285
Exposições
Fontes de Pesquisa
Livros
- MATTAR, D. 2021. p. 52 ficha técnica da obra e reprodução: cor.
- MORAES, M. 2013. p. 38-39 ficha técnica da obra e reprodução: cor.
- SACRAMENTO, E. 2001. p. 43 ficha técnica da obra e reprodução: cor.
Antologias de Coleções
Catálogos de Exposições Individuais
Catálogos de Exposições Coletivas
Publicações Periódicas
Produção Acadêmica
Internet
- CONCREÇÃO 0501 - a vida e a obra de Luiz Sacilotto. 2005. 8:00 reprodução de obra: cor.
- DIÁLOGOS instigantes - Luiz Sacilotto. 2020. 16:58 ficha técnica da obra e reprodução: cor.
- MEMÓRIA e contexto - Sacilotto expressionista (parte 2/4). 2011. 07:39 reprodução de obra: cor.
- SACILOTTO. 2005. 4:29 reprodução de obra: cor.