LS
Figura, 1947
Material, Técnica, Suporte
óleo sobre tela
Dimensões
59 x 44,5 cm
Outros títulos
Figura Sentada Retrato de Helena
Local de Produção
Santo André, SP - Brasil
Inscrições, Assinatura
Sacilotto [19]47 Figura
Excertos de Texto
- Pode-se constatar em uma tela figurativa de 1947, um caráter construtivo, em que o fundo aparece com um tratamento sugerindo um geometrismo sem ligação com a figura deformada, e a cor é aplicada em áreas quase definidas seguindo uma sensibilidade, não segundo um
programa determinado. - Três retratos pintados naquele ano [1947] [...], dão a medida da grandeza expressionista que a pintura de Sacilotto atingiu: um do pintor Octávio Araújo, vigoroso, fortemente colorido e dois retratos de Helena, sua modelo mais freqüente, sintéticos, realizados com cores e formas intensas, introspectivos, profundos. Não se trata de retratos interessados na aparência, mas na essência do retratado. Eles projetam um misto de mundo interior do artista e do modelo, de forma enérgica e criativa.
- Na pintura de figuras humanas realizada por Sacilotto, a geometrização começou a surgir como fundo de trabalhos realizados em 1947, como é o caso de Retrato de Helena [...]. Na Figura [...] esse fundo assume caráter geométrico mais explícito, belíssimo em suas diagonais e em seus azuis, vermelhos e amarelos. Ladi Biezus nota, na blusa dessa Figura, ‘o embrião da forma arquetípica dos cortes e dobraduras de lâminas que posteriormente utilizou largamente em suas esculturas’.
- Em Figura, do mesmo ano [do Retrato de Helena], há a explosão da cor, a figura se apresenta silenciosa; expressivamente deformada, captura e inquire o observador.
- Como em outros retratos do período, a partir do Autorretrato de 1944, afirma-se aqui a veia expressionista que caracteriza a produção de Sacilotto na segunda metade da década de 1940. Os altos contrastes - cromáticos, gestuais e formais - que dominam a pintura permitem identificar o interesse do artista pelas diferentes correntes e manifestações da tendência expressionista que marca as vanguardas do início do século XX. Ele não teve acesso a elas apenas por meio de reproduções, consultadas na Biblioteca Municipal de São Paulo e na do Instituto Profissional Masculino, mas também pela observação direta de telas originais. Como relata Sacramento, em ‘abril de 1945 Sacilotto visitou, no Rio, a exposição inaugural da Galeria Askanazy, entrando em contato com obras de mestres expressionistas tais como Kokoschka, Käthe Kollwitz, Beckmann, Kirchner e outros, interessando-se profundamente pelo Expressionismo, na teoria e na prática’.
Nos planos de cor, ao fundo, vê-se um exercício de organização e de exacerbação de superficies contrastadas de azul e laranja, azul e vermelho, amarelo e azul. Elas criam uma situação espacial sobre a qual a figura feminina do título paira quase solene na apresentação como que fantasmagórica de um rosto amarelo e verde, amarelo e roxo, amarelo e vermelho, emoldurado por cabelos verdes.
A pintura guarda semelhanças com a icônica tela modernista A Boba (c. 1915-1916), de Anita
Malfatti (1889-1964) [...], seja na posição da figura ou no encosto da cadeira, seja na própria relação entre a figura e o fundo, ou mesmo na solução dos planos de cor, sem contar a identidade emprestada pela forte presença do amarelo, em ambas as obras.
A pintura é intensificada pelo tratamento dado ao rosto e ao corpo, dois elementos estranhos, mesmo se forem pensadas as possíveis e reconhecíveis distorções expressionistas, de traço e gesto e também de uso das cores não realistas, ou descritivas. A roupa azul, sobre a qual as linhas amarelas insinuam-se como listras, pode ser vista como uma espécie de revelação do interior da figura, como que a mostrar a caixa torácica; ou, ainda, pode ser pensada como antecipação de estruturas construtivas de algumas das pinturas dos anos que se seguem, como Retângulo Eventual, ou das estruturas de dobras e cortes que se apresentarão nas esculturas da década de 1950. Soma-se a esse pormenor o rosto marcado pelo contraste cromático, acentuado em torno dos lábios vermelhos, cujo contorno se divide claramente em áreas de tinta verde, de um lado, e amarela, do outro.No Expressionismo, os olhos, como em boa parte dos retratos, autorretratos e figuras, constituem pontos nevrálgicos no enfrentamento do observador, como se vê aqui. Eles não se revelam, e com isso tornam-se mais instigantes e provocadores. Se, emoldurado pelo vermelho da testa e o roxo da face, o olho direito aparenta esconder-se, o esquerdo parece ser puxado pela força da mancha de tinta verde que se afirma com um mar de lágrimas, escorrendo pela face distorcida angulosamente e desproporcional.
Fontes de Pesquisa
- [CALENDÁRIO Logos Engenharia 2001]. 2001. [n.p.] ficha técnica da obra e reprodução: cor.
- SACRAMENTO, E. 2001. p. 32 ficha técnica da obra e reprodução: cor.
- MORAES, M. 2013. sumário, p. 34-35 ficha técnica da obra e reprodução: cor.
- CARVALHO, A. 1995. p. 73 ficha técnica da obra e reprodução: cor.
- DELLA ROCCA, R. 2004. p. 55 reprodução de obra: p&b.
- FUCHS, I. 2015. p. 43 ficha técnica da obra e reprodução: cor.
- FERREIRA, I. 1982. p. 132 ficha técnica da obra e reprodução: p&b, p. 162 ficha técnica de obra.
- CYPRIANO, F. 11 abr. 2001. p. E8 reprodução de obra: cor.
- PIGNATARI, D. 1980. verso ficha técnica de obra.
- KLINTOWITZ, J. 1978. p. 36 ficha técnica de obra.
- MEMÓRIA e contexto - Sacilotto expressionista (parte 2/4). 2011. 01:41 reprodução de obra: cor.
- TELAS do Brasil - Luiz Sacilotto. 2020. 1:14 reprodução de obra: cor.
- SACILOTTO. 2005. 13:33 reprodução de obra: cor.
- CONCREÇÃO 0501 - a vida e a obra de Luiz Sacilotto. 2005. 5:45 reprodução de obra: cor.