LS0252
Concreção 5942, 1959
Material, Técnica, Suporte
chapa de alumínio cortada, dobrada e pintada
Dimensões
16,8 x 31,1 x 31,4 cm
Outros títulos
Concretion 5942
Local de Produção
Santo André, SP - Brasil
Inscrições
da assinatura: v. Sacilotto [gravado, ponta-seca]
Obras Associadas
Excertos de Texto
- “A elaboração da obra origina-se de uma placa metálica ou um retalho independentemente do formato quadrado, retangular, circular, pois a partir do bidimensional surge o tridimensional. Reformulando princípios adotados na sua pintura, a seriação do elemento, e no caso da escultura, a ambiguidade da forma e da ausência da forma (os vazios). O espaço transforma-se em forma pelas relações entre os cheios e os vazios, levando à ‘fusão do volume das formas e do volume do espaço’ (Vieira, 1960, n.p.), ora em alternâncias, ora em fusões. A estrutura dialoga com o observador, os vazios adquirem a mesma força da forma na obra, estimulando um número infinito de leituras. Nessa estrutura existem pontos de solda nas extremidades, assegurando o encontro dos elementos.” CARVALHO, A. 1995, p. 93
- “A obra "Concreção 5942", de 1959 [...] é construída a partir de um quadrado de alumínio. Como em muitas de suas obras, aqui também há o corte em tiras da mesma largura, dobradas em direções alternadas para que o vazio e o cheio construam a espacialidade da obra. À primeira vista, temos a impressão de que se trata de um quadrado dividido em quatro quadrados iguais. No entanto, a obra contém uma assimetria estrutural, evidenciada pela tira maior e pela menor, que não têm espelhamento e perfazem apenas metade do percurso das outras. Na realidade, a base, que a princípio aparenta ser uma forma resultante da junção de quatro quadrados de diferentes tamanhos — dois grandes, um pequeno e outro ainda menor —, é resultante da junção de dois retângulos maiores com os dois quadrados menores. Para entender a estrutura da obra, vamos refazer o percurso de sua construção.
O artista, inicialmente, traça uma cruz dividindo o quadrado-base em quatro partes. O encontro das linhas é deslocado do centro na proporção 10 × 9. (Continuaremos nossa descrição tendo em conta esses valores proporcionais, que não correspondem a nenhuma unidade de medida.) Como resultado, o artista obtém dois retângulos de 10 × 9, um quadrado de 10 × 10 e outro de 9 × 9. Corta então os quadrados em tiras de largura 1 e as dobra alternadamente, juntando suas extremidades no centro. Essas junções são os únicos pontos de solda. A base é então formada pelo que resta após a operação de corte e dobra: além dos dois retângulos, um quadrado de 2 × 2 e um quadrado de 1 × 1.
Não há falta, não há sobras. Um único quadrado se fragmenta e compõe um pensamento espacial. A aparente simetria mostra-se, após a análise, assimétrica. A solução extremamente simples de deslocar o centro do quadrado-base revela a capacidade de Sacilotto de sintetizar um pensamento estrutural complexo.” DELLA ROCCA, R. 2004, p. 94-99 - “A obra "Concreção 5942", de 1959, também tem uma proposta similar [à da obra "Concreção 5941"], mas o seu jogo de formas é bem menos orgânico e trabalha com os jogos visuais de continuidade.” FUCHS, I. 2015, p. 54
- “Como apontou o crítico Lorenzo Mammì, a estética concretista favorecia “um exercício contínuo do olho, e não uma experiência única e intensa”. [...] As esculturas de Luiz Sacilotto, por exemplo, são inequivocamente movidas por esses “exercícios contínuos” — o que dá origem aos seus títulos, sempre acompanhados por índices cronológicos de quatro dígitos. Obras como "Concreção 5942" (1959) e "Concreção 5839" (1958) partem de um plano metálico quadrado original. É essa forma original — o quadrado — que é mantida e multiplicada ao longo de uma intrincada série de operações de corte e dobra. Estas são projetadas para criar intervalos regulares entre as tiras de metal que são equivalentes em largura às próprias tiras. Mais importante ainda, a oposição entre matéria opaca e espaço vazio torna-se secundária, na medida em que tanto a tira quanto o intervalo cooperam na formação de gestalts fechadas. Em poucas palavras, essas peças estimulam a percepção do observador a completar as linhas e contornos dos quadrados, triângulos ou círculos virtuais que propõem.” MARTINS, S. Jan. 2012, p. 83
- “O concretismo brasileiro tornou-se emblemático do já referido "surto" da arte concreta latino-americana (a geometria abstrata como um todo) nos circuitos globais. E, no entanto, devemos reconhecer que a produção inovadora e experimental desse grupo é bastante paradoxal. Em seu objetivo marxista de fazer arte para as massas, os concretistas buscavam produzir obras que se aproximassem de objetos fabricados industrialmente. Como exemplificado por peças emblemáticas tais como "Concreção 5942" (1959), de Luiz Sacilotto, e [...] "Ideia visível" (1956), de Waldemar Cordeiro, isso implicava apagar qualquer vestígio de individualidade ou subjetividade em favor de peças acromáticas lisas e polidas (em sua maioria superfícies pretas e brancas às vezes pintadas com aerógrafo sobre alumínio). No entanto, esse tipo de rigor só se consolidou na época da mostra inicial de Arte Concreta (1956) e teve vida relativamente curta. [Mari Carmen Ramírez]” SOUZA, L. 2020, p. 180
- “Marcado por uma obra inventiva sob o léxico geométrico concretista, Sacilotto, em 1959, expõe "Concreção 5942", parte de uma série de experimentações que partem de um plano quadrado em uma elaborada série de operações de corte, dobra e solda sobre o metal multiplicando sua forma original, quase como uma homenagem ao quadrado. Ao erguer suas faixas de metal, forma intervalos regulares e equivalentes em largura às próprias faixas, a uma maneira que a faixa (negra) contrasta perfeitamente com o intervalo (vazio, branco), incorporando graficamente o vazio à escultura.
Um trabalho perfeitamente inserido no ideário concretista, tributário de seu estrito rigor estético ao mesmo tempo que atualiza essa inventividade sobre o repertório visual da vanguarda. Princípios estéticos como a repetição articulada de uma mesma figura geométrica e a relação de emersão do plano presentes na obra de Sacilotto muito se assemelham a uma experiência empreendida por Joseph Albers quando ainda dava aula na famosa Escola de Bauhaus, em papel e interessado no desdobramento de uma mesma figura geométrica (círculo, na ocasião) ainda que lhe fosse possível conquistar a terceira dimensão aparecem em trabalho de 1928 que muito provavelmente Sacilotto pagou tributo, afinal é base teórico concretista a escola alemã e suas aspirações de vanguarda.” SILVA, F. 2018, p. 59-60 - “Na linhagem dos recortes, relevos e esculturas, Sacilotto amplia suas investigações em torno do espaço, das percepções cambiantes e das operações matemáticas a fim de multiplicar por meio de divisões, cortes, segmentações.
[...]
Assim como os cortes e dobras, os relevos se materializam aqui, afirmando a chapa metálica pintada como superficie de cor que se desdobra e multiplica em relações nas mãos e no pensamento do operário da forma e da cor, como Sacilotto foi frequentemente identificado. Ele traz para essa linguagem os argumentos de que se vale na superfície pictórica, explorando ambiguidades e movimento em cheios e vazios que os já ditos cortes e dobras proporcionam, da mesma forma que enfatizam a presença e a ausência, a matéria e o imaterial.
Como sempre, tudo é aparentemente quase primitivo nessa simplicidade traiçoeira que nos encanta pelo sensível e pelo desafio, e não pela sedução dos prazeres conhecidos. O requinte reside nessa construção que cada um pode habitar com a sua individual e potente sensibilidade.” MORAES, M. 2013, p. 68 - “Gostaria de apontar a persistente poética do quadrado em mais duas obras de Sacilotto: "Concreção 5942" e "Concreção 6045".[...]. Executava-os [quadrados] em alumínio, recortando manualmente o retalho de uma chapa, que tinha conseguido. Ele mesmo cortava e limava. Dividia-o por um número: na metade, em oito, em dez. Sacilotto opera naturalmente o número, assim como utiliza números para identificar seus quadros, combinando o ano com a numeração sequente dos trabalhos. No 5942, do quadrado inicial, dividido ao meio nos dois sentidos, resultam quatro quadrados. Trata-os por procedimentos alternados, dois a dois, mantendo, num caso, a superficie contínua e cheia, recortando-a, no outro. O corte segue a orientação paralela aos lados do quadrado de origem, como se nele desejasse inscrever sucessivamente outros quadrados. As linhas paralelas e de mesma largura abrem a possibilidade de dobraduras alternadas, pela qual recria os planos ortogonais ao quadrado primeiro.
Sacilotto divide para multiplicar. Cria vários planos a partir de uma única superfície, que é definitivamente o quadrado. A obra permite observar que o artista se empenha em atualizar uma figura permanente, em revelar a complexidade do simples. Por isso nunca perde a referência da forma original, que guarda a possibilidade de comparação. Na obra desse artista, a percepção aparece só no fim do processo. Ele é fundamentalmente um construtor.
Outro sentido relevante da obra de Sacilotto surge do jogo entre a presença do plano contínuo e sua ausência, e é proporcionado pela equivalência de figuras e pela igualdade da medida dada aos cheios e vazios. [...] O quadrado que se abre para o espaço conquista novas possibilidades de orquestração. Não é objeto, é imaginação, pensamento.
Sacilotto renova a arte pelo uso artístico dos novos materiais. Estava familiarizado profissionalmente com materiais industriais, como desenhista de esquadrias.
Suas construções fogem de qualquer finalismo, ele brinca com o quadrado. Torna recursos industriais disponíveis para a arte. [Ana Maria Belluzzo]” AMARAL, A. 1998, p. 126-128 - “[...] [Sacilotto] desenvolveu toda uma poética baseada no diálogo com a forma autorreferencial do quadrado. Obras como "Concreção 5942" (1959) consistem em quadrados de alumínio recortados de acordo com uma progressão numérica. Sacilotto criou vários planos sobre a base serial da superfície modular do quadrado. A estrutura resultante dessa progressão apoia-se nos efeitos perceptivos do espaço negativo provocados pelos recortes de quadrados precisos e sobrepostos.” BELLUZZO, A. 2004, p. 10
- “Obras como "Concreção 5942" (1959) e "Concreção 6045" (1960) partem de um plano metálico original e quadrado. É essa forma original — o quadrado — que é mantida e multiplicada ao longo de uma intrincada série de operações de corte e dobra. Estas são projetadas para criar intervalos uniformes entre as tiras de metal que são equivalentes em largura às próprias tiras. Mais importante ainda, a oposição entre matéria opaca e espaço vazio torna-se secundária, na medida em que tanto a tira quanto o intervalo cooperam na formação da gestalt positiva dos quadrados resultantes. Em poucas palavras, essas peças estimulam a percepção do observador a completar as linhas e contornos dos quadrados virtuais que propõem. Nas palavras da historiadora da arte Ana Maria Belluzzo, o objetivo de Sacilotto era “atualizar uma figura permanente e revelar a complexidade das coisas simples”.” MARTINS, S. 2013, p. 30
- “Fica claro, por exemplo, que os intervalos vazios em suas "Concreções" esculturais não se destinam a ser aberturas para o nosso olhar, ou molduras para o espaço que está além delas. Esse tipo de transparência não tem significado para sua forma escultural. Como argumentei, esses vãos são equivalentes aos (isto é, ocupam o mesmo plano que os) segmentos materiais da escultura. É devido à sua complementaridade e regularidade que eles são capazes de formar uma gestalt, um todo perceptivo, como se ambos participassem da definição de uma forma geométrica plana. A experiência torna-se, assim, um círculo (ou quadrado) fechado.” MARTINS, S. Jan. 2012, p. 88
Exposições
- 2024, Sacilotto contemporâneo: cor, movimento e partilha.
- 2012, Constructed dialogues: concrete, geometric, and kinetic art from the Latin Americanart collection.
- 2009, North looks South: building the Latin American art collection.
- 2009, Dimensions of constructive art in Brazil: the Adolpho Leirner Collection.
- 2007, Dimensions of constructive art in Brazil: the Adolpho Leirner Collection.
- 2004, Inverted utopias: avant-garde art in Latin America 1920-1970.
- 2000, Heterotopías: medio siglo sin-lugar: 1918-1968.
- 1999, Arte construtiva no Brasil: coleção Adolpho Leirner.
- 1998, Arte construtiva no Brasil: coleção Adolpho Leirner.
- 1995, Sacilotto: obras selecionadas.
- 1980, Sacilotto: expressões & concreções.
Fontes de Pesquisa
Livros
- BELLUZZO, A. 2004. p. 186 ficha técnica da obra e reprodução: cor, p. 10, 208-209 citação sobre a obra, p. 550 ficha técnica de obra.
- BRITO, R. 1985. p. 46 ficha técnica da obra e reprodução: p&b.
- BRITO, R. 1999. p. 103 reprodução de obra: cor, p. 52 ficha técnica da obra e reprodução: cor.
- CONDURU, R. 2005. p. 55 reprodução de obra: cor.
- COTTER, H. 2004. p. 103 reprodução de obra: p&b.
- MARTINS, S. 2013. p. 30 citação sobre a obra, p. 32 ficha técnica da obra e reprodução: cor.
- MATTAR, D. 2021. p. 103 ficha técnica da obra e reprodução: cor.
- MATTAR, D. 2021. Versão em inglês. p. 72 ficha técnica da obra e reprodução: cor.
- MORAES, M. 2013. p. 68-69 ficha técnica da obra e reprodução: cor.
- SACRAMENTO, E. 2001. p. 82 ficha técnica da obra e reprodução: cor.
- SILVA, P. 2012. p. 114 ficha técnica de obra, p. 48 citação sobre a obra.
- SOUZA, L. 2020. p. 180 citação sobre a obra.
- ZANINI, W. 1983. v. 2, p. 663 ficha técnica da obra e reprodução: cor.
Antologias de Coleções
- AMARAL, A. 1998. p. 126 ficha técnica da obra e reprodução: p&b.
- LEIRNER, A. 1998. p. 84 ficha técnica de obra.
- OLEA, H. 2009. p. 126 ficha técnica da obra e reprodução: cor, p. 127 reprodução de obra: cor, p. XIII reprodução de obra: cor.
- RAMÍREZ, M. 2007. p. 82-83 ficha técnica de obra, p. 18 citação sobre a obra.
Catálogos de Exposições Individuais
Material Gráfico de Exposição
Publicações Periódicas
- AVELAR, A. dez. 2024. p. 116 reprodução de obra: cor.
- BELLA, F. maio 2001. reprodução de obra: cor.
- CORDEIRO, W. jun. 1982. [n.p.] ficha técnica da obra e reprodução: p&b.
- DITCHUN, R. 3 ago. 1997. p. 1 citação sobre a obra.
- GULLAR, F. out. 1998. p. 87 ficha técnica da obra e reprodução: cor.
- HIRSZMAN, M. 1 set. 1998. p. D6-7 reprodução de obra: cor, p. D6-7 citação sobre a obra.
- LUIZ Sacilotto – 28 trabalhos em várias técnicas. 22 maio 1995. p. D4 reprodução de obra: p&b.
- MARTINS, S. Jan. 2012. p. 83 ficha técnica da obra e reprodução: p&b.
- MUARREK, U. abr. 1998. Edição n. 155 Especial Colecionadores. p. 131 reprodução de obra: cor.
- SILVA, R. 2 jan. 2017. p. 15 citação sobre a obra, p. 16 ficha técnica da obra e reprodução: cor.
- WEISS, A. 2 dez. 1998. p. D2 reprodução de obra: p&b.
Produção Acadêmica
- BARBOSA, J. 2017. p. 45 citação sobre a obra.
- BOTTALLO, M. 2011. p. 220 ficha técnica da obra e reprodução: p&b.
- CARVALHO, A. 1995. capa, folha de rosto ficha técnica da obra e reprodução: cor.
- CARVALHO, A. 1995. p. 92 ficha técnica da obra e reprodução: cor.
- DELLA ROCCA, R. 2004. p. 95, 98 reprodução de obra: p&b.
- FUCHS, I. 2015. p. 54 ficha técnica da obra e reprodução: cor.
- GALLERANI, M. 1991. p. 85 citação sobre a obra.
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- SILVA, L. 2016. p. 127 citação sobre a obra.
- SILVA, P. 2012. p. 72 ficha técnica da obra e reprodução: cor.
- TRAMONTINA, E. 1998. p. 27 reprodução de obra: cor, p. 29 citação sobre a obra.
Internet
- CONCREÇÃO 0501 - a vida e a obra de Luiz Sacilotto. 2005. 16:52 reprodução de obra: cor.
- DAN GALERIA. Artistas. Luiz Sacilotto. citação sobre a obra.
- DIÁLOGOS instigantes - Luiz Sacilotto. 2020. 36:38 reprodução de obra: cor.
- GOOGLE Arts & Culture. Luiz Sacilotto. reprodução de obra: cor.
- LUIZ Sacilotto. 2021. 14:37 reprodução de obra: cor.
- MEMÓRIA e contexto - Sacilotto concretista (parte 3/4). 2011. 06:56 reprodução de obra: cor.
- SACILOTTO. 2005. 6:50 reprodução de obra: cor.
- TELAS do Brasil - Luiz Sacilotto. 2020. 1:41 reprodução de obra: cor.
- THE MUSEUM of Fine Arts, Houston – MFAH. Collection. Luiz Sacilotto. ficha técnica da obra e reprodução: cor.
Vídeo/CD-ROM/DVD