LS0302
Concreção 5730, 1961
Material, Técnica, Suporte
chapa de alumínio cortada e dobrada
Dimensões
36,2 x 50,2 x 49,8 cm
Outros títulos
Concretion 5730
Local de Produção
Santo André, SP - Brasil
Inscrições
da assinatura: f. Sacilotto [ponta-seca]
data de produção: f. 61 [gravado, ponta-seca]
Excertos de Texto
- “Na década de 1950, Sacilotto inicia a investigação de desdobramentos do plano bidimensional em tridimensão. A partir de chapas metálicas, traça paralelas, corta e dobra. Essas simples operações permitem-lhe libertar-se do suporte; a obra torna-se independente da parede e do pedestal. A matéria é ao mesmo tempo constituinte e constituição — não há meio.
A obra "Concreção 5730", de 1957, parte de um quadrado de alumínio no qual o artista estabelece diagonais paralelas. O próximo passo é cortar uma das grandes diagonais até o ponto de cruzamento com a diagonal oposta.
Depois, [...] o artista efetua o corte nas diagonais menores até a metade. A superfície é então dividida em três partes. As partes 1 e 3 são dobradas alternadamente, até se estabilizarem num mesmo plano perpendicular ao plano da parte 2. Dessa maneira, observada de um determinado ângulo, a obra mostra-se plana.
Um leve deslocamento conduz o olho a penetrar no vazio e descobrir a presença das dobras matéricas. Trata-se de um limiar dimensional: não é mais bidimensão, mas também não há massa, volume: o vazio revela-se como matéria da escultura. A tridimensionalidade se estabelece pela percepção. Os planos cortam o espaço, se expandem por ele.” DELLA ROCCA, R. 2004, p. 91-92 - “Como os neoconcretos, Sacilotto também fez a passagem do plano para o espaço. A obra "Concreção 5730", de 1957, é um exemplo disso. Nessa obra aparecem algumas características que Gullar atribuiu exclusivamente aos neoconcretos, e a discussão empreendida em torno dela é bem semelhante à empreendida em torno dos "Bichos" que Lygia Clark fez três anos mais tarde. Mas há um porém: ainda que obras visualmente semelhantes possam aparecer nos dois grupos, o que deve ser levado em conta é o processo de produção do trabalho.” LATTAVO, P. 2016, p. 29-31
- “O trabalho, "Concreção 5730", é de 1957, anterior ao aprofundamento da cisão entre os grupos [do Rio de Janeiro e de São Paulo]. Trata-se de uma chapa de alumínio, de 50 × 50 cm, com dois recortes simétricos, estruturados a partir da diagonal do quadrado. Os dois pedaços da superfície fendida são dobrados na mesma direção, tendo como eixo a outra diagonal e criando um volume que permite outra possibilidade de apoio à peça, que não necessita do apoio da parede e inclina-se sobre o chão.
[...]
Há simetria e precisão matemática nos cortes empreendidos nesses trabalhos em alumínio.” MOURA, F. 2011, p. 69-70 - “Trocar ideias sobre música com Sacilotto, em sua casa em Santo André. Sentir a ironia inteligente e instigante, tomando uma cerveja com Fiaminghi. Ouvir histórias de Maurício Nogueira Lima sobre reuniões com Lygia Clark e Sacilotto, nas quais Lygia afirmara que faria a mesma escultura de Sacilotto ("Concreção 5730"), só que a dela iria se mexer. Ali foram criados os famosos "bichos". [Adolpho Leirner]” AMARAL, A. 1998, p. 11
- “Em "Concreção 5730", de 1957, Sacilotto parte de um quadrado de alumínio e, fiel à divisão em dois, o articula espacialmente. Realiza recortes simétricos, respeitando uma das diagonais do quadrado, para a seguir dobrar dois pedaços da superfície de alumínio, tendo por eixo a outra diagonal. Orienta para um mesmo lado as duas porções de superfície dobradas, definindo-as perpendicularmente ao quadrado de origem e encontrando nele outra possibilidade de apoio da peça, que, abandonando a verticalidade da parede, inclina-se sobre o chão. As dobras do alumínio permitem que o quadrado-quadro se torne autoportante, ganhando o espaço da sala. O plano desmembrado passa a se desenvolver em novas dimensões espaciais e o movimento virtual do quadro bidimensional dá lugar ao movimento real, desenvolvido no espaço do mundo; entretanto a obra multidimensionada não para de indicar novas virtualidades, possíveis movimentos em novas dimensões. A ida do plano ao espaço é um feito desse artista concreto em 1957. [Ana Maria Belluzzo]” AMARAL, A. 1998, p. 124
Notas de Pesquisa
- Segundo depoimento de Valter Sacilotto, o fato das obras cujos números de tombo do artista são 0460 e 0151 apresentarem o mesmo título provavelmente deve-se a um engano na nomeação das peças, já que foram registradas em momentos diferentes apesar de produzidas na mesma época.
Nota-se que a obra 0460 foi registrada no livro de tombo do artista sem nenhuma informação para o título, tendo como únicas referências a técnica, dimensão e o nome do colecionador “Adolpho Leirner”. Deve-se levar em conta que a inclusão desta primeira peça no livro, é bem posterior a segunda - só ocorre depois da exposição Sacilotto: Expressões & Concreções, no MAM São Paulo, em 1980 (a obra não participa desta exposição), quando o artista volta a tomar conhecimento dela, segundo Valter. O que Valter presume é que o título C5730 deve ter sido atribuido à obra na época da venda, no entanto, o período que a obra ficou “ausente” deve ter feito o artista não se lembrar da nomeação adotada, acabando por fazê-lo atribuir o mesmo título a outra obra. - No livro de tombo do artista, a obra aparece registrada com a data de 1957; no entanto, na própria obra consta a inscrição 61 ao lado da assinatura (c.i.d). Esta segunda data foi adotada pela equipe de pesquisa como sendo a data de produção da obra.
Exposições
- 2024, Sacilotto contemporâneo: cor, movimento e partilha.
- 2012, Constructed dialogues: concrete, geometric, and kinetic art from the Latin Americanart collection.
- 2009, North looks South: building the Latin American art collection.
- 2009, Dimensions of constructive art in Brazil: the Adolpho Leirner Collection.
- 2007, Dimensions of constructive art in Brazil: the Adolpho Leirner Collection.
- 2007, Modern art from the collection of the Museum of Fine Arts, Houston.
- 2004, Inverted utopias: avant-garde art in Latin America 1920-1970.
- 2002, Brazil: body & soul.
- 2001, Brazil: body & soul.
- 2000, Século 20: arte do Brasil.
- 2000, Mostra do Redescobrimento: arte moderna.
- 1999, Arte construtiva no Brasil: coleção Adolpho Leirner.
- 1998, Arte construtiva no Brasil: coleção Adolpho Leirner.
Fontes de Pesquisa
Livros
- BELLUZZO, A. 2004. p. 185 ficha técnica da obra e reprodução: cor, p. 550 ficha técnica de obra.
- MATTAR, D. 2021. p. 90 ficha técnica da obra e reprodução: cor.
- MATTAR, D. 2021. Versão em inglês. p. 62 ficha técnica da obra e reprodução: cor.
- MOURA, F. 2021. p. 204 ficha técnica da obra e reprodução: cor, p. 69-70 citação sobre a obra.
- SACRAMENTO, E. 2001. p. 78 ficha técnica da obra e reprodução: p&b.
- SOUZA, L. 2021. p. 147 citação sobre a obra.
- VILLAS BÔAS, G. 2015. p. 287 citação sobre a obra.
Antologias de Coleções
- AMARAL, A. 1998. p. 125 ficha técnica da obra e reprodução: p&b, p. 6 reprodução de obra: cor, p. 11 reprodução de obra: cor.
- LEIRNER, A. 1998. p. 17, 84 ficha técnica da obra e reprodução: cor, p. 13, 81 citação sobre a obra.
- MACKENZIE, B. 2003. p. 24 citação sobre a obra.
- OLEA, H. 2009. p. 124 ficha técnica da obra e reprodução: cor, p. 125 reprodução de obra: cor.
- RAMÍREZ, M. 2007. p. 78-79 ficha técnica da obra e reprodução: cor, p. 24 reprodução de obra: cor, p. 29 citação sobre a obra.
Catálogos de Exposições Coletivas
Material Gráfico de Exposição
Publicações Periódicas
Produção Acadêmica
- BARBOSA, J. 2017. p. 45 citação sobre a obra.
- DELLA ROCCA, R. 2004. p. 92-93 reprodução de obra: p&b.
- LATTAVO, P. 2016. p. 30 reprodução de obra: cor.
- MEDEIROS, G. 2004. p. 116 reprodução de obra: p&b.
- MOURA, F. 2011. p. 69 citação sobre a obra, p. 187 reprodução de obra: cor.
- SCHOEN, M. 2017. p. 100 citação sobre a obra.
- SILVA, L. 2016. p. 127 citação sobre a obra.
Internet
- GOOGLE Arts & Culture. Luiz Sacilotto. reprodução de obra: cor.
- LUIZ Sacilotto. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. reprodução de obra: cor.
- SACILOTTO. 2005. 10:20 reprodução de obra: cor.
- TELAS do Brasil - Luiz Sacilotto. 2020. 1:37 reprodução de obra: cor.
- THE MUSEUM of Fine Arts, Houston – MFAH. Collection. Luiz Sacilotto. ficha técnica da obra e reprodução: cor.
Vídeo/CD-ROM/DVD