LS0199
Articulação Complementária, 1952
Material, Técnica, Suporte
esmalte sobre compensado de madeira
Dimensões
54 x 79 x 2,5 cm
Local de Produção
Santo André, SP - Brasil
Inscrições
da assinatura: c.i.d. Sacilotto
data de produção: c.i.d. [19]52
Excertos de Texto
- “No início dos anos 1950, Sacilotto realizou uma série de pinturas de estrutura ortogonal, formadas por áreas de cor delimitadas por horizontais e verticais, sem um fundo, como é o caso de Pintura l e Concreção. Em seguida ele realizou pinturas em que pequenos quadrados pretos e coloridos eram alinhados na horizontal e na vertical, paralelamente a linhas também horizontais e verticais, de cores e espessuras diversas, sobre um fundo monocromático.” SACRAMENTO, E. 2001, p. 70
- “Esse daqui já é um quadro [...] pertence a um momento histórico, Ruptura [de] [19]52. Foi exposto no Museu de Arte Moderna. A importância desse quadro é que [ele é feito de] é compensado, e a tinta usada é esmalte sintético. Era uma novidade, ninguém pintava em sintético, em esmalte... [...] Eu fiz uma série de quadros todos em esmalte, todos sobre compensado [...]. [Luiz Sacilotto]” SACILOTTO. 1995, 21:45
- “Cada obra de Sacilotto a partir de 1952 coloca em discussão o espaço restrito, material, opondo-se ao espaço relacional, implícito mas de superfície relativizada, que continuamente se faz no diálogo dinâmico dos elementos que o formam.
A obra "Articulação complementária", de [19]52, observada por áreas de cor. Peles se sobrepõem, se encaixam, dialogam. Cada grupo de forma/cor nos traz um ritmo, uma dinâmica própria de cada configuração, luz, intervalo, tamanho, localização espacial, ora aglutinando, ora expandindo, ora silenciando, ora aprofundando, ora emergindo. Quando observamos a obra sem o conhecimento da potência de cada elemento, um véu de obscuridade se interpõe entre o observador e o objeto observado, exigindo um esforço para que os sentidos se estabeleçam e tomem o corpo consciente daquela experiência estética. Não há linha do horizonte, não há, portanto, céu e terra; cada parte é autônoma e dependente de um sistema maior que a reforça e a significa.
Ao propor novas possibilidades espaciais transformando os elementos compactos em linhas de contorno, o artista aponta variações na densidade dos corpos, revelando e obstruindo possíveis vazios, passagens e a potência de futuras reorganizações matéricas. A revelação das camadas existentes e constituintes altera, em cada uma, as qualidades compositivas. Semelhantes ou antagônicas, estão contidas e são responsáveis pela ordem da superfície.” DELLA ROCCA, R. 2004, p. 109-113 - “Um pouco distinto do procedimento que o artista passará a utilizar quando se apropria da palavra "concreção" e a adota como título dos trabalhos, nesta composição o título explicita a proposta sem margem a dúvidas: as cores complementares formam uma articulação sobre o fundo preto, que imprime o alto contraste percebido na composição. A percepção é estimulada intensamente nesse sentido, seja cromaticamente, seja pelo jogo das formas em continuidade, que oferecem um ritmo próprio produzido pela proximidade dos elementos que se repetem.
Como uma coreografia de formas e cores, as proximidades se convertem em fluxos e movimento, ao mesmo tempo em que as relações de contraste são exploradas com a aproximação de cores complementares: o vermelho e o verde, o azul e o laranja, o amarelo e o violeta.
"Articulação complementária" pode ser percebida como uma espécie de balé, no qual Sacilotto parece querer fazer convergir todos os esforços para uma experiência visual em que a estrutura equilibrada, harmônica, simples, regular em suas variações e de natureza homogênea pareça atestar a veracidade dos princípios básicos propugnados pelas leis da Gestalt.
Por outro lado, é preciso apontar que a composição explora também o sentido de espaço, agora pela contrastante situação da superfície negra na qual linhas, formas e cores parecem querer se deslocar. Entretanto, elas mesmas se encarregam de conter e deter umas às outras, até pela relação de contraste que a complementaridade das cores estabelece como regra.
Elemento significativo e cada vez mais presente nas investigações do artista é o uso de suportes industriais e de materiais industrializados, por vezes definindo e determinando novos procedimentos para adequá-los às necessidades da produção de imagens, mas também para apontar uma relação entre eles — esmalte e compensado — que é de natureza complementar.” MORAES, M. 2013, p. 46 - “Quando o visitante entrava na galeria [da exposição do Grupo Ruptura], as primeiras obras que teria visto de perto eram as de Sacilotto e de Barros, entre os trabalhos abstratos não objetivos mais enfáticos em exibição. O "Objeto-forma (Desenvolvimento de um quadrado)" de Barros, atualmente intitulado "Função diagonal", e a "Articulação complementar" de Sacilotto, ambos de 1952, estavam centralizados em seus respectivos vãos. Barros e Sacilotto utilizaram tinta industrial sobre madeira aglomerada prensada para criar composições nítidas e gráficas sobre fundos pretos, com formas dispostas em contraste branco, no caso de Barros, e cores primárias e secundárias, preto, branco e cinza, no caso de Sacilotto. Ambos os artistas analisam a percepção com efeitos diferentes. A composição despojada de Barros engaja o olho do observador em inversões perceptivas tensas entre a figura e o fundo. Com seu título, Sacilotto sinalizava sua atenção às pós-imagens de cores complementares: como fixar o olhar em uma cor e, em seguida, em uma superfície branca provoca uma pós-imagem da cor oposta ou complementar. No entanto, ele atenuou a ativação das pós-imagens com seu fundo preto uniforme e, em vez disso, visualizou as explosões de atividade óptica, criando um campo unificado e cintilante. A colocação das obras de Sacilotto e Barros no início da exposição sugere o desejo do grupo de projetar uma linguagem compartilhada de composições geométricas esparsas que criam experiências ópticas inéditas. Divergências surgiram, no entanto, na exposição como um todo.” NELSON, A. 2022, p. 138-139
- “[...] é extremamente pertinente notar a progressão da matriz expressionista para o vocabulário da arte concreta de um artista como Sacilotto. Isso fica evidente na transição da exuberância cromática de "Paisagem" (Casa na Estrada do Vergueiro, São Bernardo do Campo), 1948, para "Composição", 1948, que envolve uma série de retângulos, quadrados e formas circulares articulados por grossas linhas pretas — uma clara reminiscência das grades de Mondrian. A evolução de Sacilotto no uso da cor culminou em obras como Articulação complementar, 1952, um trabalho extraordinário no qual as progressões de quadrados multicoloridos, à maneira das composições "Boogie-Woogie" de Mondrian, ativam a incomum superfície negra, trazendo de forma proeminente uma proposta de arte concreta. [Mari Carmen Ramírez]” OLEA, H. 2009, p. 285
- “"Articulação complementária", um esmalte sobre madeira de Sacilotto, de 1952, integrante da mostra "Ruptura", é exemplo dessa influência [do Neoplasticismo]. Nela, a rigidez dos primeiros trabalhos, feitos sob o impacto da descoberta de Mondrian pelo artista, cede lugar a uma seriação mais pura, em que os elementos ortogonais, aparentemente soltos no espaço (fundo negro), integram-se pelo módulo.” GALLERANI, M. 1991, p. 73
- “É difícil precisar — e, nesse sentido, "Articulação complementária", de Sacilotto, constitui-se numa das raras exceções — quais obras de cada artista integraram a primeira e as demais exposições do Grupo Ruptura.” GALLERANI, M. 1991, p. 74
Exposições
Fontes de Pesquisa
Livros
- CINTRÃO, R. 2002. p. 51 ficha técnica da obra e reprodução: cor.
- MARTINS, L. 2018. p. 297 citação sobre a obra.
- MATTAR, D. 2021. p. 70 ficha técnica da obra e reprodução: cor.
- MATTAR, D. 2021. Versão em inglês. p. 51 ficha técnica da obra e reprodução: cor.
- MORAES, M. 2013. p. 46-47 ficha técnica da obra e reprodução: cor.
- NELSON, A. 2022. p. 139 ficha técnica da obra e reprodução: cor, p. 138 citação sobre a obra.
- SACRAMENTO, E. 2001. p. 60 ficha técnica da obra e reprodução: cor.
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