Sacilotto, Fortuna Crítica
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Agda Carvalho

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“A interpretação do universo plástico de Sacilotto denuncia uma estética elaborada pela pesquisa e coerência, oferecendo diversas perspectivas no encontro poético com a obra. A leitura convida o fruidor ao desfrute das possibilidades fruitivas da poética sacilottana.

No figural do artista Luiz Sacilotto, no sentido da usualidade da obra, verificam-se dois módulos de produção, o figurativo e o concreto, que se modificaram segundo sua vivência e seu interesse estético. Nos dois módulos da produção de Sacilotto encontra-se um aprofundamento exaustivo das linguagens, tanto da expressiva como da programada, em que os elementos estéticos se revitalizam a cada nova abordagem do artista. Observando seu ‘método de trabalho’, depara-se com um procedimento criterioso na elaboração do produto artístico, sem comprometer a autonomia de sua criação. Sacilotto assume com disciplina seu fazer artístico, mantendo a coerência direcionada pela sua pesquisa prática e teórica.

No módulo figurativo, as imagens comunicam as pulsações internas dos elementos formas, linhas, cores com a expressividade. As experiências estéticas com a figuração são regidas pela desenvoltura em penetrar nas possibilidades técnicas de uma composição, caracterizando aparente descontinuidade, por desejar em cada trabalho uma nova ‘decisão formativa’ na qual convivem diferentes soluções explorativas. No momento da transição ocorre a convivência do orgânico com o geométrico, que leva a uma figuração não representativa até a decisão definitiva de um trabalho não representacional.

No módulo concreto acontece a superação da figura com a nova situação estética que despontava, trabalhando a poética da forma e o tridimensional, em que a obra ultrapassa a realidade, fundando outros ‘novos’ mundos com a nova visão dos elementos que compõem o produto artístico.

Na convivência com a produção artística sacilottana, observa-se que essa não se encontra enraizada só naquele tempo de atuação, mas ainda é um instrumento de fruição na atualidade.

Sacilotto se mantém resistente aos modismos que apareceram no decorrer de seu caminho. A inovação surge no desafio de encontrar, dentro dos elementos, dos suportes e materiais utilizados durante sua produção artística, um ‘novo’ programa, uma ‘nova’ solução, uma abertura para a concretização da sua fruição de mundo.

A imagem poética, resultante da construção, oferece a abertura de fruições individuais ilimitadas, em que o rigor proporciona uma liberdade que resulta do domínio dos meios e das ideias.

Nessa habilidade racionalmente dirigida de Sacilotto é preciso perceber, na obra, o sentido dessa tecnicidade e que absorver a essência técnica não significa abandonar-se sem reservas às suas leis e jogos. Para o artista, além da simples presença da objetividade, está o ser/obra, como acontecer epocal e destinal.”

CARVALHO, Agda. Sacilotto: visão e fruição III. Diário do Grande ABC, Santo André, 8 fev. 1999. Setecidades, p. 3.

Agda Carvalho

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“A interpretação do universo plástico de Sacilotto denuncia uma estética elaborada pela pesquisa e coerência, oferecendo diversas perspectivas no encontro poético com a obra. A leitura convida o fruidor ao desfrute das possibilidades fruitivas da poética sacilottana.

No figural do artista Luiz Sacilotto, no sentido da usualidade da obra, verificam-se dois módulos de produção, o figurativo e o concreto, que se modificaram segundo sua vivência e seu interesse estético. Nos dois módulos da produção de Sacilotto encontra-se um aprofundamento exaustivo das linguagens, tanto da expressiva como da programada, em que os elementos estéticos se revitalizam a cada nova abordagem do artista. Observando seu ‘método de trabalho’, depara-se com um procedimento criterioso na elaboração do produto artístico, sem comprometer a autonomia de sua criação. Sacilotto assume com disciplina seu fazer artístico, mantendo a coerência direcionada pela sua pesquisa prática e teórica.

No módulo figurativo, as imagens comunicam as pulsações internas dos elementos formas, linhas, cores com a expressividade. As experiências estéticas com a figuração são regidas pela desenvoltura em penetrar nas possibilidades técnicas de uma composição, caracterizando aparente descontinuidade, por desejar em cada trabalho uma nova ‘decisão formativa’ na qual convivem diferentes soluções explorativas. No momento da transição ocorre a convivência do orgânico com o geométrico, que leva a uma figuração não representativa até a decisão definitiva de um trabalho não representacional.

No módulo concreto acontece a superação da figura com a nova situação estética que despontava, trabalhando a poética da forma e o tridimensional, em que a obra ultrapassa a realidade, fundando outros ‘novos’ mundos com a nova visão dos elementos que compõem o produto artístico.

Na convivência com a produção artística sacilottana, observa-se que essa não se encontra enraizada só naquele tempo de atuação, mas ainda é um instrumento de fruição na atualidade.

Sacilotto se mantém resistente aos modismos que apareceram no decorrer de seu caminho. A inovação surge no desafio de encontrar, dentro dos elementos, dos suportes e materiais utilizados durante sua produção artística, um ‘novo’ programa, uma ‘nova’ solução, uma abertura para a concretização da sua fruição de mundo.

A imagem poética, resultante da construção, oferece a abertura de fruições individuais ilimitadas, em que o rigor proporciona uma liberdade que resulta do domínio dos meios e das ideias.

Nessa habilidade racionalmente dirigida de Sacilotto é preciso perceber, na obra, o sentido dessa tecnicidade e que absorver a essência técnica não significa abandonar-se sem reservas às suas leis e jogos. Para o artista, além da simples presença da objetividade, está o ser/obra, como acontecer epocal e destinal.”

CARVALHO, Agda. Sacilotto: visão e fruição III. Diário do Grande ABC, Santo André, 8 fev. 1999. Setecidades, p. 3.

Ana Avelar e Renata Rocco

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RESUMO • O artigo analisa a obra e as reflexões de Luiz Sacilotto entre 1950 e 1970 a partir de três itens pouco conhecidos localizados em seu ateliê em Santo André: um anúncio publicitário que o tinha como garoto-propaganda; uma página da revista Acrópole sobre o projeto do edifício Mainumbi em São Vicente; e uma entrevista concedida pelo artista ao Museu Lasar Segall em 1977. Tais elementos abrem possibilidades para discutir sua produção não somente ligada ao histórico grupo Ruptura, mas acerca de outras atuações no ambiente urbano e na arte contemporânea. O estudo visa contribuir para a historiografia da arte concreta no Brasil por meio de novas leituras sobre o trabalho de um artista central para o debate concretista. • PALAVRAS-CHAVE • Luiz Sacilotto; arte concreta; artes.

AVELAR, Ana; ROCCO, Renata. Entre “Sacigiotto” e “Sacigropius”: o ateliê, a cidade e o legado público de Luiz Sacilotto. Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, São Paulo, n. 92, p. 1-32, dez. 2025.

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Ana Avelar e Renata Rocco

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RESUMO • O artigo analisa a obra e as reflexões de Luiz Sacilotto entre 1950 e 1970 a partir de três itens pouco conhecidos localizados em seu ateliê em Santo André: um anúncio publicitário que o tinha como garoto-propaganda; uma página da revista Acrópole sobre o projeto do edifício Mainumbi em São Vicente; e uma entrevista concedida pelo artista ao Museu Lasar Segall em 1977. Tais elementos abrem possibilidades para discutir sua produção não somente ligada ao histórico grupo Ruptura, mas acerca de outras atuações no ambiente urbano e na arte contemporânea. O estudo visa contribuir para a historiografia da arte concreta no Brasil por meio de novas leituras sobre o trabalho de um artista central para o debate concretista. • PALAVRAS-CHAVE • Luiz Sacilotto; arte concreta; artes.

AVELAR, Ana; ROCCO, Renata. Entre “Sacigiotto” e “Sacigropius”: o ateliê, a cidade e o legado público de Luiz Sacilotto. Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, São Paulo, n. 92, p. 1-32, dez. 2025.

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Augusto de Campos

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CAMPOS, Augusto de. Profilogramas. São Paulo: Perspectiva, 2011. (Signos, 54).
Augusto de Campos

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CAMPOS, Augusto de. Profilogramas. São Paulo: Perspectiva, 2011. (Signos, 54).
Augusto de Campos

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Denise Mattar e Gabriel Pérez Barreiro

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MATTAR, Denise (org. e textos) et al. Sacilotto. São Paulo: Almeida & Dale Galeria de Arte: Cosac Naify, 2021.
Denise Mattar e Gabriel Pérez Barreiro

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MATTAR, Denise (org. e textos) et al. Sacilotto. São Paulo: Almeida & Dale Galeria de Arte: Cosac Naify, 2021.
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Haroldo de Campos

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para sacilotto / operário da luz

o quadrado áureo

de sacilotto -

concreção seis mil

trezentos e cinquenta e um

mil novecentos e sessenta

e três –

latão tridimensional polido

sabiamente

pelo escultor-operário

de esquadrias metálicas

deixa que se abram

à superfície

pequenas ventanas triangulares

em relevo

que vazam em fendas

escuras:

o deslumbre da luz aurificada

rebate-se nessas seteiras como em

buracos negros:

ao trânsito do espectador

tudo vibra

tudo entrevibra numa

(pré-op)

cinese dourada.

Haroldo de Campos

07.10.2000

CAMPOS, Haroldo de. Para Sacilotto / operário da luz, 7 out. 2000. In.SACRAMENTO, Enock. Sacilotto: Orbitall, 2001. P. 87.

Haroldo de Campos

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para sacilotto / operário da luz

o quadrado áureo

de sacilotto -

concreção seis mil

trezentos e cinquenta e um

mil novecentos e sessenta

e três –

latão tridimensional polido

sabiamente

pelo escultor-operário

de esquadrias metálicas

deixa que se abram

à superfície

pequenas ventanas triangulares

em relevo

que vazam em fendas

escuras:

o deslumbre da luz aurificada

rebate-se nessas seteiras como em

buracos negros:

ao trânsito do espectador

tudo vibra

tudo entrevibra numa

(pré-op)

cinese dourada.

Haroldo de Campos

07.10.2000

CAMPOS, Haroldo de. Para Sacilotto / operário da luz, 7 out. 2000. In.SACRAMENTO, Enock. Sacilotto: Orbitall, 2001. P. 87.

Alberto Beuttenmüller

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“Sacilotto é um dos precursores da Optical art, pois já em 1955 realizava Concreção 5521, em esmalte e madeira, dez anos antes da instauração do movimento op art no mundo. Sacilotto desenvolveu seu projeto construtivo centrado na Teoria da Gestalt ou Teoria da Forma; por isso, seus primeiros trabalhos eram em preto e branco, destacando apenas a pureza visual da forma, sem qualquer ruído sensorial/sensual do cromatismo que hoje exibe. Tanto o seu trabalho quanto o de Maurício Nogueira Lima (1930) apresentam, hoje, intenso colorido, enquanto na forma percebe-se uma ambiguidade desconstrutiva.”

BEUTTENMÜLLER, Alberto. Cinco pintores brasileiros, um ponto comum: rigor formal e sensibilidade cromática. In: BEUTTENMÜLLER, Alberto; GUZZI, Domenico (textos). Sincronias. Salerno: La Seggiola, 1990. p. 18.

Alberto Beuttenmüller

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“Sacilotto é um dos precursores da Optical art, pois já em 1955 realizava Concreção 5521, em esmalte e madeira, dez anos antes da instauração do movimento op art no mundo. Sacilotto desenvolveu seu projeto construtivo centrado na Teoria da Gestalt ou Teoria da Forma; por isso, seus primeiros trabalhos eram em preto e branco, destacando apenas a pureza visual da forma, sem qualquer ruído sensorial/sensual do cromatismo que hoje exibe. Tanto o seu trabalho quanto o de Maurício Nogueira Lima (1930) apresentam, hoje, intenso colorido, enquanto na forma percebe-se uma ambiguidade desconstrutiva.”

BEUTTENMÜLLER, Alberto. Cinco pintores brasileiros, um ponto comum: rigor formal e sensibilidade cromática. In: BEUTTENMÜLLER, Alberto; GUZZI, Domenico (textos). Sincronias. Salerno: La Seggiola, 1990. p. 18.

Ana Avelar e Renata Rocco

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“Nesse sentido, podemos pensar o artista precisamente como um ‘homem da Renascença’ contemporâneo, uma vez que conjugou, em pleno século XX, saberes diversos. Como artista, artesão, operário, químico, matemático, engenheiro, estudioso, dominava os conhecimentos que acreditava necessários para seu trabalho, sem separação entre aquilo que compreendia a técnica pictórica e aquilo que constituía a teoria, fosse sob o signo da ciência ou da história da arte.”

AVELAR, Ana; ROCCO, Renata. “Sacilotto contemporâneo: cor, movimento e partilha” no MAC USP: em outras interpretações e sob novas luzes. Arte & Crítica, São Paulo, ano 22, n. 72, p. 119, dez. 2024.

Ana Avelar e Renata Rocco

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“Nesse sentido, podemos pensar o artista precisamente como um ‘homem da Renascença’ contemporâneo, uma vez que conjugou, em pleno século XX, saberes diversos. Como artista, artesão, operário, químico, matemático, engenheiro, estudioso, dominava os conhecimentos que acreditava necessários para seu trabalho, sem separação entre aquilo que compreendia a técnica pictórica e aquilo que constituía a teoria, fosse sob o signo da ciência ou da história da arte.”

AVELAR, Ana; ROCCO, Renata. “Sacilotto contemporâneo: cor, movimento e partilha” no MAC USP: em outras interpretações e sob novas luzes. Arte & Crítica, São Paulo, ano 22, n. 72, p. 119, dez. 2024.

Ana Maria Belluzzo

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“O curso da obra de Luiz Sacilotto é singular. Em projetos datados de 1955, ele estuda princípios regulares que possibilitam a transformação do suporte, mantendo a orientação constante das linhas paralelas. O tema já havia sido tratado por [Josef] Albers e uma das soluções encontradas por Sacilotto, a Concreção que ele numerou de 5521, em 1955, atinge relações depuradas entre linha e plano. São três quadrados justapostos que definem a horizontalidade de um suporte retangular. Impõe-se a regularidade dos quadrados — um branco, um cinza e um preto — que podem ser vistos um a um. Simultaneamente, as sequências de linhas paralelas demarcam dois retângulos, permeando os quadrados e favorecendo interpenetrações. Os princípios simples da alternância e da equivalência de linhas ativam a percepção, promovem novos valores e sugerem deslizamento planar.

[…].

A acurada sensibilidade de Sacilotto é condizente com a concentração de funções em figuras regulares e com a adoção de princípios tão básicos como a divisão ao meio. Sacilotto trabalha com um número reduzido de figuras, organizadas sob ‘simples’ geometria. Relações permanentes e sintéticas conferem qualidade e força à sua obra. A equivalência entre figura e fundo, um dos postulados básicos das diferenciações perceptivas, encontra nela farto repertório. Sacilotto pesquisa o tema albersiano das linhas equivalentes de diferenciação extrema: entre preto e branco. Chamam a atenção os efeitos obtidos no eixo vertical central da Concreção 5521, onde a igualdade de medida dos intervalos brancos, cinzas e pretos revela um partido que seria muito fecundo para o artista.

O salto qualitativo ocorre no recorte do quadro: pela afirmação do suporte material, como plano concreto, e por meio do desenho que vaza a extensão plana do suporte. Por esse recurso, a relação positivo/negativo irá se transformar qualitativamente na dualidade entre o suporte cheio interceptado pelo espaço vazio. O plano bidimensional ganha o espaço e se dobra sobre ele, no tão decantado capítulo nobre de reflexão sobre o plano e sobre os limites da representação.”


BELLUZZO, Ana Maria. Ruptura e arte concreta. In: AMARAL, Aracy (org.). Arte construtiva no Brasil: coleção Adolpho Leirner. São Paulo: DBA: Melhoramentos, 1998. p. 122-124.

Ana Maria Belluzzo

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“O curso da obra de Luiz Sacilotto é singular. Em projetos datados de 1955, ele estuda princípios regulares que possibilitam a transformação do suporte, mantendo a orientação constante das linhas paralelas. O tema já havia sido tratado por [Josef] Albers e uma das soluções encontradas por Sacilotto, a Concreção que ele numerou de 5521, em 1955, atinge relações depuradas entre linha e plano. São três quadrados justapostos que definem a horizontalidade de um suporte retangular. Impõe-se a regularidade dos quadrados — um branco, um cinza e um preto — que podem ser vistos um a um. Simultaneamente, as sequências de linhas paralelas demarcam dois retângulos, permeando os quadrados e favorecendo interpenetrações. Os princípios simples da alternância e da equivalência de linhas ativam a percepção, promovem novos valores e sugerem deslizamento planar.

[…].

A acurada sensibilidade de Sacilotto é condizente com a concentração de funções em figuras regulares e com a adoção de princípios tão básicos como a divisão ao meio. Sacilotto trabalha com um número reduzido de figuras, organizadas sob ‘simples’ geometria. Relações permanentes e sintéticas conferem qualidade e força à sua obra. A equivalência entre figura e fundo, um dos postulados básicos das diferenciações perceptivas, encontra nela farto repertório. Sacilotto pesquisa o tema albersiano das linhas equivalentes de diferenciação extrema: entre preto e branco. Chamam a atenção os efeitos obtidos no eixo vertical central da Concreção 5521, onde a igualdade de medida dos intervalos brancos, cinzas e pretos revela um partido que seria muito fecundo para o artista.

O salto qualitativo ocorre no recorte do quadro: pela afirmação do suporte material, como plano concreto, e por meio do desenho que vaza a extensão plana do suporte. Por esse recurso, a relação positivo/negativo irá se transformar qualitativamente na dualidade entre o suporte cheio interceptado pelo espaço vazio. O plano bidimensional ganha o espaço e se dobra sobre ele, no tão decantado capítulo nobre de reflexão sobre o plano e sobre os limites da representação.”


BELLUZZO, Ana Maria. Ruptura e arte concreta. In: AMARAL, Aracy (org.). Arte construtiva no Brasil: coleção Adolpho Leirner. São Paulo: DBA: Melhoramentos, 1998. p. 122-124.

Aracy Amaral

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“Sacilotto foi um dos raros artistas, ao lado de [Lothar] Charoux, por exemplo, a permanecer fiel à abstração geométrica até os dias de hoje. Nos anos 1950 partia de módulos, explorava a ambiguidade figura/fundo, utilizava-se de tintas industriais, como esmalte, e de suportes igualmente ‘fabricados’ (e não artesanais), como o alumínio, a fim de alinhar-se dentro dos princípios exigidos pelo movimento.

[…].

Sacilotto é hoje por todos considerado um veterano do concretismo entre nós, testemunha das pelejas e polêmicas do meio cultural paulista nos trepidantes e extraordinários anos 50.”

AMARAL, Aracy. Homenagem a Luiz Sacilotto. In: SALÃO de Artes Plásticas de São Bernardo do Campo: Contemporâneo, 4. São Bernardo do Campo: Espaço Henfil de Cultura, 1994. p. 10.

Aracy Amaral

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“Sacilotto foi um dos raros artistas, ao lado de [Lothar] Charoux, por exemplo, a permanecer fiel à abstração geométrica até os dias de hoje. Nos anos 1950 partia de módulos, explorava a ambiguidade figura/fundo, utilizava-se de tintas industriais, como esmalte, e de suportes igualmente ‘fabricados’ (e não artesanais), como o alumínio, a fim de alinhar-se dentro dos princípios exigidos pelo movimento.

[…].

Sacilotto é hoje por todos considerado um veterano do concretismo entre nós, testemunha das pelejas e polêmicas do meio cultural paulista nos trepidantes e extraordinários anos 50.”

AMARAL, Aracy. Homenagem a Luiz Sacilotto. In: SALÃO de Artes Plásticas de São Bernardo do Campo: Contemporâneo, 4. São Bernardo do Campo: Espaço Henfil de Cultura, 1994. p. 10.

Décio Pignatari

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“Em seu aplicado rudimentarismo minimalista, Sacilotto foi o único que se imbuiu da sistemática frugalidade de meios, materiais e processos: a dobradura e o corte de uma chapa metálica para um totem concreto, beleza da lógica visual ao nível da evidência, como se fora uma gravata ou um padrão de tecido, dialogavam com a lógica das operações destinadas à produção de bens de consumo ou de máquinas destinadas a produzir máquinas. Donde a ideia de fabricar peças matriciais, inspiracionais de outras, utilitárias. Enfim, para nós, poetas, o que interessava (segundo essa lição) era fazer poesia, e não poemas. Seja breve, ou seja: nuclear.”

PIGNATARI, Décio. Seja breve. Folha de S.Paulo, São Paulo, 11 ago. 2001. Jornal de Resenhas, Especial, p. 8.

Décio Pignatari

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“Em seu aplicado rudimentarismo minimalista, Sacilotto foi o único que se imbuiu da sistemática frugalidade de meios, materiais e processos: a dobradura e o corte de uma chapa metálica para um totem concreto, beleza da lógica visual ao nível da evidência, como se fora uma gravata ou um padrão de tecido, dialogavam com a lógica das operações destinadas à produção de bens de consumo ou de máquinas destinadas a produzir máquinas. Donde a ideia de fabricar peças matriciais, inspiracionais de outras, utilitárias. Enfim, para nós, poetas, o que interessava (segundo essa lição) era fazer poesia, e não poemas. Seja breve, ou seja: nuclear.”

PIGNATARI, Décio. Seja breve. Folha de S.Paulo, São Paulo, 11 ago. 2001. Jornal de Resenhas, Especial, p. 8.

Edemir Pinto

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“A exposição ‘Sacilotto e Barsotti: diálogo entre o concretismo e o neoconcretismo’ é a reunião de um legado de obras-primas. […].

Ao produzir esculturas de corte-e-dobra nos anos 1950, representadas nesta mostra por Concreção 5816 e Concreção 5949, Sacilotto tornou-se precursor da escultura brasileira de vanguarda.”

PINTO, Edemir (introd.). In: SACRAMENTO, Enock (cur. e texto). Sacilotto e Barsotti na BM&F Bovespa: diálogo entre o concretismo e o neoconcretismo. São Paulo: Espaço Cultural BM&F Bovespa, 2010. p. 5.

Edemir Pinto

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“A exposição ‘Sacilotto e Barsotti: diálogo entre o concretismo e o neoconcretismo’ é a reunião de um legado de obras-primas. […].

Ao produzir esculturas de corte-e-dobra nos anos 1950, representadas nesta mostra por Concreção 5816 e Concreção 5949, Sacilotto tornou-se precursor da escultura brasileira de vanguarda.”

PINTO, Edemir (introd.). In: SACRAMENTO, Enock (cur. e texto). Sacilotto e Barsotti na BM&F Bovespa: diálogo entre o concretismo e o neoconcretismo. São Paulo: Espaço Cultural BM&F Bovespa, 2010. p. 5.

Enock Sacramento

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“O Sacilotto, quando eu o conheci, ele era uma pessoa que tinha consciência da importância dele, porque o movimento concreto brasileiro foi muito importante. Eu acho que foi do nível do movimento da Semana de Arte Moderna de 1922, ou até mais, porque foi o movimento que mais marcou a visualidade brasileira, que mudou mais a maneira das pessoas verem, e essa influência do concretismo se manifestou em muitas outras coisas.”

SACRAMENTO, Enock. Depoimento. In: MEMÓRIA e contexto – Luiz Sacilotto (parte 3/4). São Paulo: Rede TVT, 2011. Disponível em:

https://www.youtube.com/watch?v=qavaJY4_K6Y. Acesso em: mar. 2026. 1 vídeo (12 min). (5 min 23 s). Apresentação Maria Amélia Rocha Lopes.

Enock Sacramento

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“O Sacilotto, quando eu o conheci, ele era uma pessoa que tinha consciência da importância dele, porque o movimento concreto brasileiro foi muito importante. Eu acho que foi do nível do movimento da Semana de Arte Moderna de 1922, ou até mais, porque foi o movimento que mais marcou a visualidade brasileira, que mudou mais a maneira das pessoas verem, e essa influência do concretismo se manifestou em muitas outras coisas.”

SACRAMENTO, Enock. Depoimento. In: MEMÓRIA e contexto – Luiz Sacilotto (parte 3/4). São Paulo: Rede TVT, 2011. Disponível em:

https://www.youtube.com/watch?v=qavaJY4_K6Y. Acesso em: mar. 2026. 1 vídeo (12 min). (5 min 23 s). Apresentação Maria Amélia Rocha Lopes.

Enock Sacramento

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“Desde então [década de 1970], Sacilotto vem produzindo trabalhos que aliam precisão e sensibilidade. Eles são concretizados segundo três linhas principais de pesquisa. A primeira delas baseia-se na progressão de figuras geométricas.

[…].

Na segunda linha, ele tira partido da rotação de um módulo, que pode ser um quadrado, por exemplo. […]

Pode-se identificar ainda outro campo bem definido de interesse do artista. São as relações e interseções de linhas retas.

[…].

A obra que expõe na Cosme Velho mostra que ele alcançou uma maturidade incontestável. Ela é de uma beleza pura, ascética, superior.”

SACRAMENTO, Enock. Na Cosme Velho, a arte de Sacilotto. Diário do Grande ABC, Santo André, 28 mar. 1982. Caderno B, p. 8.

Enock Sacramento

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“Desde então [década de 1970], Sacilotto vem produzindo trabalhos que aliam precisão e sensibilidade. Eles são concretizados segundo três linhas principais de pesquisa. A primeira delas baseia-se na progressão de figuras geométricas.

[…].

Na segunda linha, ele tira partido da rotação de um módulo, que pode ser um quadrado, por exemplo. […]

Pode-se identificar ainda outro campo bem definido de interesse do artista. São as relações e interseções de linhas retas.

[…].

A obra que expõe na Cosme Velho mostra que ele alcançou uma maturidade incontestável. Ela é de uma beleza pura, ascética, superior.”

SACRAMENTO, Enock. Na Cosme Velho, a arte de Sacilotto. Diário do Grande ABC, Santo André, 28 mar. 1982. Caderno B, p. 8.

Enock Sacramento

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“Em 1949, juntamente com Waldemar Cordeiro, inicia o movimento concreto em São Paulo, o qual marcaria o panorama artístico brasileiro, principalmente nos anos 50, com sua excepcional vitalidade.

[…]

CRÍTICA

‘[…] Sacilotto, já então ótimo desenhista, aderindo na década de 60 a movimentos de vanguarda, como o concretismo, de que foi um dos arautos, um dos precursores e dos mais imaginosos […].’ – Reynaldo Bairão, outubro 1968, catálogo ‘19 Pintores’.

‘Luiz Sacilotto desde o início é viga mestra da arte concreta.

A fase geométrica é caracterizada pela descoberta de uma estrutura topológica e pelo desenvolvimento ótimo de suas variáveis possíveis. O plano é desdobrado no espaço tridimensional ocasionando no fruidor a apreensão de uma quarta dimensão. Com essa fase Sacilotto se torna precursor da escultura brasileira de vanguarda, posteriormente desenvolvida por Lygia Clark e outros.’ – Waldemar Cordeiro, cаtálogo do 1o Salão de Arte Contemporânea de Santo André.

DEPOIMENTO

‘Meus primeiros trabalhos eram nitidamente figurativos e realizados dentro de uma linha expressionista. A figura tinha para mim somente interesse como ponto de partida, já que o resultado gráfico era o objetivo primordial. Minha posição, todavia, não era meramente contemplativa, mas sim de agressão a certos aspectos negativos da sociedade burguesa. Após este período, o contato direto com o aspecto gráfico da Arquitetura despertou meu interesse por soluções puramente geométricas. Essas experiências, que a princípio envolviam a figura, evoluíam para uma área despojada de qualquer teor literário. Foi então que fundamos, em São Paulo, juntamente com Cordeiro, Geraldo de Barros; Charoux e outros, o Grupo Ruptura, ponto de partida para o surgimento do concretismo no Brasil, um dos mais, se não o mais, importantes movimentos artísticos no terreno das artes plásticas surgido no Brasil depois da revolução modernista de 1922.’ – Sacilotto, Diário do Grande ABC, 24/11/68.”

SACRAMENTO, Enock. Sacilotto: presença concreta na arte brasileira. Diário do Grande ABC, Santo André, 7 mar. 1971. Arte Hoje.

Enock Sacramento

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“Em 1949, juntamente com Waldemar Cordeiro, inicia o movimento concreto em São Paulo, o qual marcaria o panorama artístico brasileiro, principalmente nos anos 50, com sua excepcional vitalidade.

[…]

CRÍTICA

‘[…] Sacilotto, já então ótimo desenhista, aderindo na década de 60 a movimentos de vanguarda, como o concretismo, de que foi um dos arautos, um dos precursores e dos mais imaginosos […].’ – Reynaldo Bairão, outubro 1968, catálogo ‘19 Pintores’.

‘Luiz Sacilotto desde o início é viga mestra da arte concreta.

A fase geométrica é caracterizada pela descoberta de uma estrutura topológica e pelo desenvolvimento ótimo de suas variáveis possíveis. O plano é desdobrado no espaço tridimensional ocasionando no fruidor a apreensão de uma quarta dimensão. Com essa fase Sacilotto se torna precursor da escultura brasileira de vanguarda, posteriormente desenvolvida por Lygia Clark e outros.’ – Waldemar Cordeiro, cаtálogo do 1o Salão de Arte Contemporânea de Santo André.

DEPOIMENTO

‘Meus primeiros trabalhos eram nitidamente figurativos e realizados dentro de uma linha expressionista. A figura tinha para mim somente interesse como ponto de partida, já que o resultado gráfico era o objetivo primordial. Minha posição, todavia, não era meramente contemplativa, mas sim de agressão a certos aspectos negativos da sociedade burguesa. Após este período, o contato direto com o aspecto gráfico da Arquitetura despertou meu interesse por soluções puramente geométricas. Essas experiências, que a princípio envolviam a figura, evoluíam para uma área despojada de qualquer teor literário. Foi então que fundamos, em São Paulo, juntamente com Cordeiro, Geraldo de Barros; Charoux e outros, o Grupo Ruptura, ponto de partida para o surgimento do concretismo no Brasil, um dos mais, se não o mais, importantes movimentos artísticos no terreno das artes plásticas surgido no Brasil depois da revolução modernista de 1922.’ – Sacilotto, Diário do Grande ABC, 24/11/68.”

SACRAMENTO, Enock. Sacilotto: presença concreta na arte brasileira. Diário do Grande ABC, Santo André, 7 mar. 1971. Arte Hoje.

Everaldo Fioravante

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“Luiz Sacilotto foi um artista plástico de produção ímpar, tanto que seu nome figura entre os mais importantes da história da arte brasileira do século XX.”

FIORAVANTE, Everaldo. Depoimento. In: MEMÓRIA e contexto – Luiz Sacilotto (parte 4/4). São Paulo: Rede TVT, 2011. Disponível em:

https://www.youtube.com/watch?v=rI7RylmpGBM. Acesso em: mar. 2026. 1 vídeo (7 min). (0 min 32 s). Apresentação Maria Amélia Rocha Lopes.

Everaldo Fioravante

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“Luiz Sacilotto foi um artista plástico de produção ímpar, tanto que seu nome figura entre os mais importantes da história da arte brasileira do século XX.”

FIORAVANTE, Everaldo. Depoimento. In: MEMÓRIA e contexto – Luiz Sacilotto (parte 4/4). São Paulo: Rede TVT, 2011. Disponível em:

https://www.youtube.com/watch?v=rI7RylmpGBM. Acesso em: mar. 2026. 1 vídeo (7 min). (0 min 32 s). Apresentação Maria Amélia Rocha Lopes.

Fabio Cypriano

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“A surpresa entre os brasileiros que participam da mostra [12a Documenta] é o pintor Luiz Sacilotto (1924-2003), que foi um artista concreto paulista fiel a sua poética, desde os anos 1950. Ele comparece com Escultura negra, de 1959, um dos muitos trabalhos modernos que funcionam como contraponto aos contemporâneos. Com essa escolha, o Brasil integra a exposição também como coautor da história da arte.”

CYPRIANO, Fabio. Diversidade domina 12a Documenta. Presença do concretista Luiz Sacilotto é surpresa. Folha de S.Paulo, São Paulo, 16 jun. 2007. Ilustrada, p. E3.

Fabio Cypriano

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“A surpresa entre os brasileiros que participam da mostra [12a Documenta] é o pintor Luiz Sacilotto (1924-2003), que foi um artista concreto paulista fiel a sua poética, desde os anos 1950. Ele comparece com Escultura negra, de 1959, um dos muitos trabalhos modernos que funcionam como contraponto aos contemporâneos. Com essa escolha, o Brasil integra a exposição também como coautor da história da arte.”

CYPRIANO, Fabio. Diversidade domina 12a Documenta. Presença do concretista Luiz Sacilotto é surpresa. Folha de S.Paulo, São Paulo, 16 jun. 2007. Ilustrada, p. E3.

Felipe Chaimovich

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“Luiz Sacilotto (1924-2003) foi o artista do ABC. Representa a aliança entre o modernismo do pós-guerra e a industrialização de São Paulo, tendo produzido obras exemplares para a contemporaneidade nacional.

[…].

Sacilotto testemunhou a solidez de uma carreira regulada pelo rigor compositivo derivado da geometria e da gráfica. Sua obra ecoa um projeto de modernização do Brasil indissociável da indústria paulista e da educação pela arte.”

CHAIMOVICH, Felipe. Sacilotto foi aliança entre o modernismo e a industrialização. Folha de S.Paulo, São Paulo, 13 fev. 2003. Ilustrada, p. E2.

Felipe Chaimovich

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“Luiz Sacilotto (1924-2003) foi o artista do ABC. Representa a aliança entre o modernismo do pós-guerra e a industrialização de São Paulo, tendo produzido obras exemplares para a contemporaneidade nacional.

[…].

Sacilotto testemunhou a solidez de uma carreira regulada pelo rigor compositivo derivado da geometria e da gráfica. Sua obra ecoa um projeto de modernização do Brasil indissociável da indústria paulista e da educação pela arte.”

CHAIMOVICH, Felipe. Sacilotto foi aliança entre o modernismo e a industrialização. Folha de S.Paulo, São Paulo, 13 fev. 2003. Ilustrada, p. E2.

Fernanda Lopes

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“O paralelo entre arte e indústria, que uniu seu conhecimento técnico e sua curiosidade, possibilitou que Sacilotto utilizasse em toda a sua produção materiais não convencionais como matéria-prima e suporte para os trabalhos: esmalte, madeira compensada, chapas de cimento-amianto (fibrocimento), alumínio, latão e ferro.

[…].

Sacilotto, naquele momento [décadas de 1950 e 1960] e em toda a sua produção, partilhava desse interesse pelo universo da indústria e sua relação com o público, mas, diferentemente da maioria dos artistas, que vinham de uma produção artística anterior e levaram naquele momento sua pesquisa poética para o design, o urbanismo e a arquitetura, Sacilotto tinha origem operária. Sua inquietação e curiosidade levaram os materiais e os princípios industriais para sua produção artística, discutindo a subjetividade da percepção e estratégias de ilusão do olhar. ‘Gosto de quando a pessoa vem olhar o quadro, vê uma coisa e, de repente, vê outra. É uma provocação’, disse em uma de suas entrevistas.

[…].

Essa, na verdade, parece ser a provocação presente em toda a produção de Sacilotto, desde os anos 1950. Conceitos de ritmo e progressão, módulos, malhas, redes, grades, matemática, geometria, seriação e binômios como claro e escuro, cheio e vazio, positivo e negativo, alcançaram efeitos óticos/cinéticos e colocaram em dúvida o que se via diante dos olhos.”

LOPES, Fernanda. Quantos círculos cabem em um círculo? In: LOPES, Fernanda (cur. e texto). Audácia concreta: obras de Luiz Sacilotto. Santo André: Sesc Santo André, 2013. n.p.

Fernanda Lopes

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“O paralelo entre arte e indústria, que uniu seu conhecimento técnico e sua curiosidade, possibilitou que Sacilotto utilizasse em toda a sua produção materiais não convencionais como matéria-prima e suporte para os trabalhos: esmalte, madeira compensada, chapas de cimento-amianto (fibrocimento), alumínio, latão e ferro.

[…].

Sacilotto, naquele momento [décadas de 1950 e 1960] e em toda a sua produção, partilhava desse interesse pelo universo da indústria e sua relação com o público, mas, diferentemente da maioria dos artistas, que vinham de uma produção artística anterior e levaram naquele momento sua pesquisa poética para o design, o urbanismo e a arquitetura, Sacilotto tinha origem operária. Sua inquietação e curiosidade levaram os materiais e os princípios industriais para sua produção artística, discutindo a subjetividade da percepção e estratégias de ilusão do olhar. ‘Gosto de quando a pessoa vem olhar o quadro, vê uma coisa e, de repente, vê outra. É uma provocação’, disse em uma de suas entrevistas.

[…].

Essa, na verdade, parece ser a provocação presente em toda a produção de Sacilotto, desde os anos 1950. Conceitos de ritmo e progressão, módulos, malhas, redes, grades, matemática, geometria, seriação e binômios como claro e escuro, cheio e vazio, positivo e negativo, alcançaram efeitos óticos/cinéticos e colocaram em dúvida o que se via diante dos olhos.”

LOPES, Fernanda. Quantos círculos cabem em um círculo? In: LOPES, Fernanda (cur. e texto). Audácia concreta: obras de Luiz Sacilotto. Santo André: Sesc Santo André, 2013. n.p.

Ferreira Gullar

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“Luiz Sacilotto guarda certa coerência em suas obras, mantém-se fiel a certos elementos e problemas espaciais e rítmicos. Mas não evolui neles: adotou-os e os explora, ora combinando o ritmo das formas seriadas a contrastes de cor, ora lhes dando relevo material, ora trazendo-os para o espaço: o problema estrutural permanece o mesmo.”

GULLAR, Ferreira. Concretos de São Paulo no MAM do Rio. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 jul. 1960. Suplemento Dominical, p. 3.

Ferreira Gullar

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“Luiz Sacilotto guarda certa coerência em suas obras, mantém-se fiel a certos elementos e problemas espaciais e rítmicos. Mas não evolui neles: adotou-os e os explora, ora combinando o ritmo das formas seriadas a contrastes de cor, ora lhes dando relevo material, ora trazendo-os para o espaço: o problema estrutural permanece o mesmo.”

GULLAR, Ferreira. Concretos de São Paulo no MAM do Rio. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 jul. 1960. Suplemento Dominical, p. 3.

Folha da Manhã

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“Nos trabalhos que absorvem, atualmente, a atenção de Luiz Sacilotto, sobressaem as preocupações de evidenciar claramente todos os aspectos formais que neles atuam. Logo à primeira vista, o observador entra em imediato contato com o trabalho, pois o artista se esforça em ser claro e preciso no desenvolver de suas estruturas. Segundo ele mesmo ressalta, suas obras ‘não têm rebuscamento nem “literatura”: é arte visual’. Ele não se utiliza de ‘monstros e fantasmas’, consoante suas próprias expressões, pois, quando lança mão de um elemento, evita inibições: o elemento aparece tal qual é, claro, atuando conforme suas próprias características.”

CLAREZA de formas. In: EXPOSIÇÃO de Luiz Sacilotto na Galeria de Arte das Folhas. Folha da Manhã, São Paulo, 13 jan. 1959. Assuntos gerais, p. 7.

Folha da Manhã

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“Nos trabalhos que absorvem, atualmente, a atenção de Luiz Sacilotto, sobressaem as preocupações de evidenciar claramente todos os aspectos formais que neles atuam. Logo à primeira vista, o observador entra em imediato contato com o trabalho, pois o artista se esforça em ser claro e preciso no desenvolver de suas estruturas. Segundo ele mesmo ressalta, suas obras ‘não têm rebuscamento nem “literatura”: é arte visual’. Ele não se utiliza de ‘monstros e fantasmas’, consoante suas próprias expressões, pois, quando lança mão de um elemento, evita inibições: o elemento aparece tal qual é, claro, atuando conforme suas próprias características.”

CLAREZA de formas. In: EXPOSIÇÃO de Luiz Sacilotto na Galeria de Arte das Folhas. Folha da Manhã, São Paulo, 13 jan. 1959. Assuntos gerais, p. 7.

Frederico Morais

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“Luiz Sacilotto é uma das figuras centrais do Concretismo histórico no Brasil. Em muitas das Concreções daquele período [década de 1950], foi um pioneiro e um desbravador de proposições que tiveram incontáveis desdobramentos em sua obra e na de outros artistas, dentro e fora do movimento. Mas nas décadas subsequentes, seguiu trabalhando com igual vigor criativo e rigor conceitual, buscando novas soluções para os problemas de sempre. Nesse sentido, ouso afirmar que ele é o mais concreto entre os artistas concretos. […]. Em sua obra, ontem como hoje, temos sempre a prevalência da estrutura sobre a narrativa, a adoção de ritmos numéricos simples, em ordem progressiva ou regressiva, que resultam em admiráveis estruturas de caráter ótico-cinético, serialização e repetição programada dos mesmos signos geométricos como base para um agenciamento multiforme, e a ambiguidade espacial, que abre caminho para o aparecimento do tempo como movimento virtual. E, sobretudo, a coerência interna, deixando claro que em todas as suas obras há uma lei de desenvolvimento, que unifica todas as propostas visuais. […].

Apesar de recorrer sempre aos mesmos elementos, reais ou virtuais — quadrados, retângulos, triângulos, faixas verticais e horizontais, com diferentes espessuras e cores, que se apresentam isolados ou agrupados —, as estruturas resultantes surpreendem por seu dinamismo visual e também por sua intrínseca monumentalidade. […].

Concretista rigoroso, Sacilotto emprega um vocabulário geométrico deliberadamente restrito, com o claro propósito de se concentrar, sempre, no essencial. Visualidade pura. E para isso se vale de uma gama muito variada de recursos — interrupções rítmicas, torções, cortes, dobras, relevos, superposição de tramas lineares etc. Na aparente simplicidade ou contenção de sua obra reside toda uma inteligência visual: há nela clareza, propriedade e transparência. Rigorosas e processuais, as obras aqui expostas não devem ser vistas, no entanto, como frias equações ou demonstrações de teoremas matemáticos, mas como verdadeiras obras de arte.”

MORAIS, Frederico. Ruptura e continuidade. In: SACILOTTO: obras selecionadas. São Paulo: Sylvio Nery da Fonseca Escritório de Arte, 1995. p. [3].

Frederico Morais

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“Luiz Sacilotto é uma das figuras centrais do Concretismo histórico no Brasil. Em muitas das Concreções daquele período [década de 1950], foi um pioneiro e um desbravador de proposições que tiveram incontáveis desdobramentos em sua obra e na de outros artistas, dentro e fora do movimento. Mas nas décadas subsequentes, seguiu trabalhando com igual vigor criativo e rigor conceitual, buscando novas soluções para os problemas de sempre. Nesse sentido, ouso afirmar que ele é o mais concreto entre os artistas concretos. […]. Em sua obra, ontem como hoje, temos sempre a prevalência da estrutura sobre a narrativa, a adoção de ritmos numéricos simples, em ordem progressiva ou regressiva, que resultam em admiráveis estruturas de caráter ótico-cinético, serialização e repetição programada dos mesmos signos geométricos como base para um agenciamento multiforme, e a ambiguidade espacial, que abre caminho para o aparecimento do tempo como movimento virtual. E, sobretudo, a coerência interna, deixando claro que em todas as suas obras há uma lei de desenvolvimento, que unifica todas as propostas visuais. […].

Apesar de recorrer sempre aos mesmos elementos, reais ou virtuais — quadrados, retângulos, triângulos, faixas verticais e horizontais, com diferentes espessuras e cores, que se apresentam isolados ou agrupados —, as estruturas resultantes surpreendem por seu dinamismo visual e também por sua intrínseca monumentalidade. […].

Concretista rigoroso, Sacilotto emprega um vocabulário geométrico deliberadamente restrito, com o claro propósito de se concentrar, sempre, no essencial. Visualidade pura. E para isso se vale de uma gama muito variada de recursos — interrupções rítmicas, torções, cortes, dobras, relevos, superposição de tramas lineares etc. Na aparente simplicidade ou contenção de sua obra reside toda uma inteligência visual: há nela clareza, propriedade e transparência. Rigorosas e processuais, as obras aqui expostas não devem ser vistas, no entanto, como frias equações ou demonstrações de teoremas matemáticos, mas como verdadeiras obras de arte.”

MORAIS, Frederico. Ruptura e continuidade. In: SACILOTTO: obras selecionadas. São Paulo: Sylvio Nery da Fonseca Escritório de Arte, 1995. p. [3].

Haroldo de Campos

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“Considerem-se, para dar um só exemplo, os trabalhos de Sacilotto em cotejo com os de Lygia Clark ou de Franz Weissmann: há diferenças, certo; há timbres inconfundíveis de personalidade; mas a orientação estética é manifestamente comum, convergente num plano mais geral.”

CAMPOS, Haroldo de. Apresentação. In: CABRAL, Isabella; REZENDE, M. A. Amaral. Hermelindo Fiaminghi. São Paulo: Edusp: Imprensa Oficial, 1998. p. 13. (Artistas brasileiros: pintura, 11.)

Haroldo de Campos

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“Considerem-se, para dar um só exemplo, os trabalhos de Sacilotto em cotejo com os de Lygia Clark ou de Franz Weissmann: há diferenças, certo; há timbres inconfundíveis de personalidade; mas a orientação estética é manifestamente comum, convergente num plano mais geral.”

CAMPOS, Haroldo de. Apresentação. In: CABRAL, Isabella; REZENDE, M. A. Amaral. Hermelindo Fiaminghi. São Paulo: Edusp: Imprensa Oficial, 1998. p. 13. (Artistas brasileiros: pintura, 11.)

Ibiapaba Martins

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“Seu companheiro [de Luiz Andreatini] Luiz Sacilotto só nos apresentou [na exposição ‘19 pintores’] alguns desenhos e gravuras. Uma de suas gravuras, representando uma mulher sentada, é muito boa. Pode-se dizer que ele, Araújo e Grassmann são os três melhores desenhistas da exposição. Sacilotto e Araújo mostram muitos pontos de semelhança.”

MARTINS, Ibiapaba. 19 pintores. Correio Paulistano, São Paulo, 6 maio 1947. p. 7.

Ibiapaba Martins

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“Seu companheiro [de Luiz Andreatini] Luiz Sacilotto só nos apresentou [na exposição ‘19 pintores’] alguns desenhos e gravuras. Uma de suas gravuras, representando uma mulher sentada, é muito boa. Pode-se dizer que ele, Araújo e Grassmann são os três melhores desenhistas da exposição. Sacilotto e Araújo mostram muitos pontos de semelhança.”

MARTINS, Ibiapaba. 19 pintores. Correio Paulistano, São Paulo, 6 maio 1947. p. 7.

Ítalo Leite cita Ana Avelar

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“Ele queria que a arte que ele produzisse fosse acessível. E ela é. Ele acreditava que a arte poderia ser um instrumento de desenvolvimento humano”, conta Ana [Avelar].

LEITE, Ítalo. Mostra de Luiz Sacilotto traz a alma concretista em obras além das telas. Folha de S.Paulo, São Paulo, 4 jan. 2025. Ilustrada, p. B9.

https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2024/12/mostra-de-luiz-sacilotto-traz-a-alma-concretista-em-obras-que-transbordam-as-telas.shtml

Ítalo Leite cita Ana Avelar

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“Ele queria que a arte que ele produzisse fosse acessível. E ela é. Ele acreditava que a arte poderia ser um instrumento de desenvolvimento humano”, conta Ana [Avelar].

LEITE, Ítalo. Mostra de Luiz Sacilotto traz a alma concretista em obras além das telas. Folha de S.Paulo, São Paulo, 4 jan. 2025. Ilustrada, p. B9.

https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2024/12/mostra-de-luiz-sacilotto-traz-a-alma-concretista-em-obras-que-transbordam-as-telas.shtml

Ivo Zanini

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“Da composição expressionista das paisagens, naturezas-mortas, nus e até autorretratos, Luiz Sacilotto deixou tudo pelas experiências geométricas. Isso no início dos anos 50. E desde então sua obra tem sido espécie de perseguição incansável às linhas e formas depuradas da arte concreta, do construtivismo. Com um rico pormenor a mais: o cinético, a op art, que soube introduzir tão bem em seu trabalho. Três décadas e um só objetivo: a arte maior.

[…].

São obras construídas com imaginação, e isso significa beleza e profundidade nas formas, nas cores e nas ilimitadas projeções que o artista condensa na tela, na madeira ou no ferro e no alumínio. Na quase totalidade das peças expostas há uniformidade de tratamento, próprio do cultor sério de um objetivo a alcançar. E Sacilotto não se desvia da trilha, pois faz das suas expressões e concreções, como denomina as obras, verdadeiro ritual para superar os obstáculos eventuais que a arte apresenta. Acho que está conseguindo plenamente.”

ZANINI, Ivo. A sólida geometria de Fiaminghi e Sacilotto. Folha de S.Paulo, São Paulo, 1 out. 1980. Ilustrada, p. 29.

Ivo Zanini

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“Da composição expressionista das paisagens, naturezas-mortas, nus e até autorretratos, Luiz Sacilotto deixou tudo pelas experiências geométricas. Isso no início dos anos 50. E desde então sua obra tem sido espécie de perseguição incansável às linhas e formas depuradas da arte concreta, do construtivismo. Com um rico pormenor a mais: o cinético, a op art, que soube introduzir tão bem em seu trabalho. Três décadas e um só objetivo: a arte maior.

[…].

São obras construídas com imaginação, e isso significa beleza e profundidade nas formas, nas cores e nas ilimitadas projeções que o artista condensa na tela, na madeira ou no ferro e no alumínio. Na quase totalidade das peças expostas há uniformidade de tratamento, próprio do cultor sério de um objetivo a alcançar. E Sacilotto não se desvia da trilha, pois faz das suas expressões e concreções, como denomina as obras, verdadeiro ritual para superar os obstáculos eventuais que a arte apresenta. Acho que está conseguindo plenamente.”

ZANINI, Ivo. A sólida geometria de Fiaminghi e Sacilotto. Folha de S.Paulo, São Paulo, 1 out. 1980. Ilustrada, p. 29.

Ivo Zanini

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“Na sobriedade das cores e, em especial, nos ritmos cinéticos que impõe com grande rigor técnico em quase todos os quadros, Sacilotto atinge, talvez, o clímax de sua produção. Uma produção equilibrada ao longo de quase 30 anos de dedicação ao intrincado/fragmentado mundo da concepção de elementos simetricamente criados. Se fosse possível juntar todas as pinturas expostas num espaço único, o resultado seria um gigantesco festival de ilusão ótica, em que quadrados, retângulos, linhas convexas, retas e curvas se harmonizam e se acasalam.

Mas a arte de Sacilotto atinge outros pontos de alta qualificação, porque impõe um ritmo por vezes vertiginoso nos minúsculos traçados que tomam conta das obras, além de utilizar os espaços com severa organicidade. Os seus trabalhos revelam, de fato, um artista voltado unicamente para a busca da emoção através das formas nada aquecidas do geométrico. Justamente lutando contra um fator tão adverso, Sacilotto consegue […] resultados surpreendentes.”

ZANINI, Ivo. Sacilotto ativa o geométrico. Folha de S.Paulo, São Paulo, 28 mar. 1982. Ilustrada, p. 60.

Ivo Zanini

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“Na sobriedade das cores e, em especial, nos ritmos cinéticos que impõe com grande rigor técnico em quase todos os quadros, Sacilotto atinge, talvez, o clímax de sua produção. Uma produção equilibrada ao longo de quase 30 anos de dedicação ao intrincado/fragmentado mundo da concepção de elementos simetricamente criados. Se fosse possível juntar todas as pinturas expostas num espaço único, o resultado seria um gigantesco festival de ilusão ótica, em que quadrados, retângulos, linhas convexas, retas e curvas se harmonizam e se acasalam.

Mas a arte de Sacilotto atinge outros pontos de alta qualificação, porque impõe um ritmo por vezes vertiginoso nos minúsculos traçados que tomam conta das obras, além de utilizar os espaços com severa organicidade. Os seus trabalhos revelam, de fato, um artista voltado unicamente para a busca da emoção através das formas nada aquecidas do geométrico. Justamente lutando contra um fator tão adverso, Sacilotto consegue […] resultados surpreendentes.”

ZANINI, Ivo. Sacilotto ativa o geométrico. Folha de S.Paulo, São Paulo, 28 mar. 1982. Ilustrada, p. 60.

Jacob Klintowitz

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“Luiz Sacilotto quer a sua pintura feita de movimento e dinamismo. Ele se interessa pelo gozo visual e pela ilusão do olhar.”

KLINTOWITZ, Jacob. Círculo brasileiro. In: KLINTOWITZ, Jacob. Geometria hoje. São Paulo: Galeria Paulo Figueiredo, 1984. p. 47.

Jacob Klintowitz

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“Luiz Sacilotto quer a sua pintura feita de movimento e dinamismo. Ele se interessa pelo gozo visual e pela ilusão do olhar.”

KLINTOWITZ, Jacob. Círculo brasileiro. In: KLINTOWITZ, Jacob. Geometria hoje. São Paulo: Galeria Paulo Figueiredo, 1984. p. 47.

Jacob Klintowitz

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“Há mais de 40 anos, Luiz Sacilotto pesquisa e aprofunda uma única ideia. Ele discute a realidade da percepção e a sua possibilidade de ser objetiva. Junto com essa ideia central de seu trabalho, quase como decorrência natural, Sacilotto coloca em dúvida a natureza do objeto pintado e faz malabarismo com o tema da pintura.

[…]

Certamente cabe o mérito histórico a Luiz Sacilotto de ser um dos concretistas de primeira hora. Ele esteve no grupo concretista com uma performance impecável. Modesto, discreto, afastado de promoções, desligado de carreira, Sacilotto esteve envolvido apenas no fazer artístico. A contemplação de trabalhos antigos seus aponta para uma tendência geométrica e construtiva. Nele, a geometria foi o desenvolvimento de sua pintura a partir de uma lógica interna. Ele descobriu o peso dos objetos, a densidade das formas, relacionou-as de maneira objetiva, colocou-as em planos e, finalmente, esses planos e pesos assumiram vida própria e se tornaram o assunto e o tema de seu trabalho. De certa maneira, de uma forma inteiramente pessoal e num trajeto modesto, o artista refez o caminho de Cézanne.

[…]

A arte concreta, pela justeza de formas e limpeza da composição, aproxima-se muito da base do desenho industrial. Ou, como no caso de Sacilotto, procura colocar a imagem em dúvida, trabalha com fundo e forma, invoca as regras básicas da percepção humana para, de uma maneira sutil, levantar dúvidas sobre a veracidade do que se está vendo. Ilusão ou realidade?”

KLINTOWITZ, Jacob. Novos signos para uma velha obsessão. Jornal da Tarde, São Paulo, 7 maio 1988. Caderno de sábado, p. A-3.

Jacob Klintowitz

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“Há mais de 40 anos, Luiz Sacilotto pesquisa e aprofunda uma única ideia. Ele discute a realidade da percepção e a sua possibilidade de ser objetiva. Junto com essa ideia central de seu trabalho, quase como decorrência natural, Sacilotto coloca em dúvida a natureza do objeto pintado e faz malabarismo com o tema da pintura.

[…]

Certamente cabe o mérito histórico a Luiz Sacilotto de ser um dos concretistas de primeira hora. Ele esteve no grupo concretista com uma performance impecável. Modesto, discreto, afastado de promoções, desligado de carreira, Sacilotto esteve envolvido apenas no fazer artístico. A contemplação de trabalhos antigos seus aponta para uma tendência geométrica e construtiva. Nele, a geometria foi o desenvolvimento de sua pintura a partir de uma lógica interna. Ele descobriu o peso dos objetos, a densidade das formas, relacionou-as de maneira objetiva, colocou-as em planos e, finalmente, esses planos e pesos assumiram vida própria e se tornaram o assunto e o tema de seu trabalho. De certa maneira, de uma forma inteiramente pessoal e num trajeto modesto, o artista refez o caminho de Cézanne.

[…]

A arte concreta, pela justeza de formas e limpeza da composição, aproxima-se muito da base do desenho industrial. Ou, como no caso de Sacilotto, procura colocar a imagem em dúvida, trabalha com fundo e forma, invoca as regras básicas da percepção humana para, de uma maneira sutil, levantar dúvidas sobre a veracidade do que se está vendo. Ilusão ou realidade?”

KLINTOWITZ, Jacob. Novos signos para uma velha obsessão. Jornal da Tarde, São Paulo, 7 maio 1988. Caderno de sábado, p. A-3.

José Geraldo Vieira

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“[…]. Luiz Sacilotto, de quem desejaríamos ver material, por exemplo, análogo ao que expõe recentemente na exposição coletiva do Museu de Arte Moderna de São Paulo, apresenta [na IV Bienal de São Paulo] apenas uma peça de geometria tipo diafragma, que nada tem que ver com o título Concreção [5733]. Sua última modalidade, de excelente artesanato, em óleo sobre alumínio, o qualifica entre os grandes valores do seu grupo experimental.”

VIEIRA, José Geraldo. IV Bienal de São Paulo: primeiro lote de pintores nacionais. Folha da Manhã, São Paulo, 3 nov. 1957. Atualidades e comentários, p. 4.

José Geraldo Vieira

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“[…]. Luiz Sacilotto, de quem desejaríamos ver material, por exemplo, análogo ao que expõe recentemente na exposição coletiva do Museu de Arte Moderna de São Paulo, apresenta [na IV Bienal de São Paulo] apenas uma peça de geometria tipo diafragma, que nada tem que ver com o título Concreção [5733]. Sua última modalidade, de excelente artesanato, em óleo sobre alumínio, o qualifica entre os grandes valores do seu grupo experimental.”

VIEIRA, José Geraldo. IV Bienal de São Paulo: primeiro lote de pintores nacionais. Folha da Manhã, São Paulo, 3 nov. 1957. Atualidades e comentários, p. 4.

José Geraldo Vieira

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“Parece-me que esse objetivo, expressar a beleza com acerto, é a tarefa dos concretistas. Vejamos o que faz, por exemplo, Luiz Sacilotto em suas telas e esculturas. Dá aos seus trabalhos, como Jean Arp, o nome de Concreções, querendo referir-se a resultados concretos, portanto a ‘concretizações’. Sua arte empenha-se em equipartições regulares do plano e do espaço. Podiam ser aglomerações isótropas de circunferências tangentes, frisos de losangos, redes de hexágonos etc. Ele atém-se, via de regra, a fazer equipartições do plano em triângulos, quando pinta; do espaço em retângulos, quando esculpe.

Já a artista Judith Lauand também faz pintura gráfica, trabalha com linhas obtendo formas pentâmeras. […]. O que ela, Luiz Sacilotto e Maurício Nogueira Lima fazem em pintura é arte gráfica. (Não quero me referir absolutamente a esquemas, a arabescos, a caligrafias, nem a texturas.) Digo arte gráfica no sentido de sínteses lineares ou geométricas, às vezes trigonométricas, que procuram fixar o eternamente invariável neste mundo de flutuações, […].”

VIEIRA, José Geraldo. Percorrendo a exposição de arte concreta. Folha de S.Paulo, São Paulo, 24 out. 1960.

José Geraldo Vieira

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“Parece-me que esse objetivo, expressar a beleza com acerto, é a tarefa dos concretistas. Vejamos o que faz, por exemplo, Luiz Sacilotto em suas telas e esculturas. Dá aos seus trabalhos, como Jean Arp, o nome de Concreções, querendo referir-se a resultados concretos, portanto a ‘concretizações’. Sua arte empenha-se em equipartições regulares do plano e do espaço. Podiam ser aglomerações isótropas de circunferências tangentes, frisos de losangos, redes de hexágonos etc. Ele atém-se, via de regra, a fazer equipartições do plano em triângulos, quando pinta; do espaço em retângulos, quando esculpe.

Já a artista Judith Lauand também faz pintura gráfica, trabalha com linhas obtendo formas pentâmeras. […]. O que ela, Luiz Sacilotto e Maurício Nogueira Lima fazem em pintura é arte gráfica. (Não quero me referir absolutamente a esquemas, a arabescos, a caligrafias, nem a texturas.) Digo arte gráfica no sentido de sínteses lineares ou geométricas, às vezes trigonométricas, que procuram fixar o eternamente invariável neste mundo de flutuações, […].”

VIEIRA, José Geraldo. Percorrendo a exposição de arte concreta. Folha de S.Paulo, São Paulo, 24 out. 1960.

José Geraldo Vieira

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“A escultura concreta é generosa, sadia e seu otimismo advém do Bauhaus […]. Essa força olímpica, dionisíaca, na América do Sul, tem como realizadores plásticos de sua objetividade Kósice, Sacilotto e Féjer.”

VIEIRA, José Geraldo. A escultura concreta. Folha de S.Paulo, São Paulo, 17 out. 1960.

José Geraldo Vieira

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“A escultura concreta é generosa, sadia e seu otimismo advém do Bauhaus […]. Essa força olímpica, dionisíaca, na América do Sul, tem como realizadores plásticos de sua objetividade Kósice, Sacilotto e Féjer.”

VIEIRA, José Geraldo. A escultura concreta. Folha de S.Paulo, São Paulo, 17 out. 1960.

Lorenzo Mammi

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“O Sacilotto foi um artista fundamental na história da arte brasileira. O uso que ele fazia das cores na década de 1950 e na posterior influenciou muitos artistas, como Lygia Clark. Do pessoal do Ruptura, ele era o que tinha a sensibilidade de cor mais apurada. Foi o Sacilotto que trouxe a combinação inusitada do roxo com o laranja, por exemplo. Não há dúvida de que ele foi um dos mais importantes artistas da fase concreta.”

MAMMÌ, Lorenzo. Repercussão. In: HIRSZMAN, Maria. Morre Sacilotto, o mestre das formas e das cores. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 11 fev. 2003. Caderno 2, p. D3.

Lorenzo Mammi

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“O Sacilotto foi um artista fundamental na história da arte brasileira. O uso que ele fazia das cores na década de 1950 e na posterior influenciou muitos artistas, como Lygia Clark. Do pessoal do Ruptura, ele era o que tinha a sensibilidade de cor mais apurada. Foi o Sacilotto que trouxe a combinação inusitada do roxo com o laranja, por exemplo. Não há dúvida de que ele foi um dos mais importantes artistas da fase concreta.”

MAMMÌ, Lorenzo. Repercussão. In: HIRSZMAN, Maria. Morre Sacilotto, o mestre das formas e das cores. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 11 fev. 2003. Caderno 2, p. D3.

Marcos Moraes

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“Costumava definir-se como ‘o mais concreto entre os artistas concretos’, um título ao qual faz jus, com toda certeza, pela fidelidade ao pensamento e ao ideário concretista — com seu foco nos materiais, processos e redução dos meios de expressão — mesmo depois que a proposta, questionada por ele mesmo e por outros, deixa de ocupar o centro das discussões e experiências artísticas, no fim dos anos 1950.

[…].

Nesse trabalho [de linguagem concreta] de natureza tão visceral e simultaneamente racional, deve ser relevado o permanente interesse pela experimentação e o domínio de técnicas e materiais diversos, que vão dos mais tradicionais, como grafite, nanquim, carvão, têmpera, aquarela, guache e óleo, empregados no início de sua carreira, até os de natureza industrial, como os esmaltes, que adquirem um sentido ideológico — e, portanto, naquele momento, político — ao suscitar uma possível reflexão sobre a condição do artista como trabalhador da pintura. Além disso, vale mencionar o emprego de suportes diversos, como papel, papelão, tela, madeira, compensados, cimento, metal e até mesmo, nos últimos anos de trabalho, recortes de vinil.”

MORAES, Marcos. Luiz Sacilotto. São Paulo: Folha de S.Paulo: Instituto Itaú Cultural, 2013. p. 12-13. (Coleção Folha Grandes Pintores Brasileiros, 14.)

Marcos Moraes

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“Costumava definir-se como ‘o mais concreto entre os artistas concretos’, um título ao qual faz jus, com toda certeza, pela fidelidade ao pensamento e ao ideário concretista — com seu foco nos materiais, processos e redução dos meios de expressão — mesmo depois que a proposta, questionada por ele mesmo e por outros, deixa de ocupar o centro das discussões e experiências artísticas, no fim dos anos 1950.

[…].

Nesse trabalho [de linguagem concreta] de natureza tão visceral e simultaneamente racional, deve ser relevado o permanente interesse pela experimentação e o domínio de técnicas e materiais diversos, que vão dos mais tradicionais, como grafite, nanquim, carvão, têmpera, aquarela, guache e óleo, empregados no início de sua carreira, até os de natureza industrial, como os esmaltes, que adquirem um sentido ideológico — e, portanto, naquele momento, político — ao suscitar uma possível reflexão sobre a condição do artista como trabalhador da pintura. Além disso, vale mencionar o emprego de suportes diversos, como papel, papelão, tela, madeira, compensados, cimento, metal e até mesmo, nos últimos anos de trabalho, recortes de vinil.”

MORAES, Marcos. Luiz Sacilotto. São Paulo: Folha de S.Paulo: Instituto Itaú Cultural, 2013. p. 12-13. (Coleção Folha Grandes Pintores Brasileiros, 14.)

Maria Alice Milliet

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“A obra de Sacilotto denota extraordinária coerência interna quando o plano suporte é alçado ao tridimensional. A chave para o entendimento dessa produção está em perceber o princípio binário que a rege. A alternância entre claro e escuro, cheio e vazio, positivo e negativo serve para construir tanto a pintura quanto a escultura. A aplicação constante desse princípio, quase um método construtivo, fica bem exemplificada nas Concreções dos anos 50, nas quais o quadrado funciona como leit motif de extensa série. De especial interesse é o dinamismo que Sacilotto alcança a partir dessa forma elementar e a riqueza de variações revelada dentro da disciplina que se impõe. Joga com a percepção ambígua do que está na frente, atrás ou entre o quadrado, seja ele pintado, cortado ou dobrado. O aproveitamento dessas virtualidades prenuncia o uso intensivo de efeitos ótico-cinéticos próprios da op art que ocupará o artista, anos depois.”

MILLIET, Maria Alice. Tendências construtivas e os limites da linguagem plástica. In: AGUILAR, Nelson (cur. e textos). Mostra do Redescobrimento: arte moderna. São Paulo: Associação Brasil 500 Anos Artes Visuais: Fundação Bienal, 2000. p. 53.

Maria Alice Milliet

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“A obra de Sacilotto denota extraordinária coerência interna quando o plano suporte é alçado ao tridimensional. A chave para o entendimento dessa produção está em perceber o princípio binário que a rege. A alternância entre claro e escuro, cheio e vazio, positivo e negativo serve para construir tanto a pintura quanto a escultura. A aplicação constante desse princípio, quase um método construtivo, fica bem exemplificada nas Concreções dos anos 50, nas quais o quadrado funciona como leit motif de extensa série. De especial interesse é o dinamismo que Sacilotto alcança a partir dessa forma elementar e a riqueza de variações revelada dentro da disciplina que se impõe. Joga com a percepção ambígua do que está na frente, atrás ou entre o quadrado, seja ele pintado, cortado ou dobrado. O aproveitamento dessas virtualidades prenuncia o uso intensivo de efeitos ótico-cinéticos próprios da op art que ocupará o artista, anos depois.”

MILLIET, Maria Alice. Tendências construtivas e os limites da linguagem plástica. In: AGUILAR, Nelson (cur. e textos). Mostra do Redescobrimento: arte moderna. São Paulo: Associação Brasil 500 Anos Artes Visuais: Fundação Bienal, 2000. p. 53.

Nancy Betts

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“O léxico concretista tem como princípios ordenadores, além da não figuração, a objetividade, a clareza e a simplicidade, características norteadoras que também regem as combinações e as estruturas da obra de Sacilotto. Seu procedimento é rigoroso; inicia-se com o cálculo, com a matemática, criando malhas, grades e redes, as quais são organizadas através de aumentos ou reduções do tamanho dos módulos. Estabelece também um programa pendular que vai do cheio ao vazio, do branco ao preto, do côncavo ao convexo e do positivo ao negativo. Essas manipulações de espaço e tempo, do plano de expressão do artista, provocam um retardamento ou uma aceleração no ritmo da obra, tornando visíveis estranhos efeitos de torções que convocam nossa percepção e sensibilidade. O que era para ser extremamente rígido, fixo e estável transforma-se em desconcertante ambivalência, em insólitos jogos que transgridem a racionalidade e abalam a certeza da exatidão e do correto, sem nunca ameaçar os paradigmas da linguagem artística. Eis o objeto de valor pelo qual nos sentimos fascinados: o encantamento é o lúdico prazer de descobrir ritmos inesperados, rotações aparentemente sem sentido, relevos que se projetam ou retraem, produzindo uma inversão na relação figura-fundo. Essas configurações determinam uma situação onde a imagem é suscetível de ser vista ora de um jeito, ora de outro. As alternâncias na percepção da imagem e do ritmo libertam a obra de um aparente repouso, fazendo sua pintura adquirir uma qualidade musical, móvel, fluida, inesperada.”

BETTS, Nancy. O lugar do inesperado. In: ÍCONE – pensamentos e ensaios de arte. Santo André: Casa do Olhar, nov. 2000. Folder.

Nancy Betts

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“O léxico concretista tem como princípios ordenadores, além da não figuração, a objetividade, a clareza e a simplicidade, características norteadoras que também regem as combinações e as estruturas da obra de Sacilotto. Seu procedimento é rigoroso; inicia-se com o cálculo, com a matemática, criando malhas, grades e redes, as quais são organizadas através de aumentos ou reduções do tamanho dos módulos. Estabelece também um programa pendular que vai do cheio ao vazio, do branco ao preto, do côncavo ao convexo e do positivo ao negativo. Essas manipulações de espaço e tempo, do plano de expressão do artista, provocam um retardamento ou uma aceleração no ritmo da obra, tornando visíveis estranhos efeitos de torções que convocam nossa percepção e sensibilidade. O que era para ser extremamente rígido, fixo e estável transforma-se em desconcertante ambivalência, em insólitos jogos que transgridem a racionalidade e abalam a certeza da exatidão e do correto, sem nunca ameaçar os paradigmas da linguagem artística. Eis o objeto de valor pelo qual nos sentimos fascinados: o encantamento é o lúdico prazer de descobrir ritmos inesperados, rotações aparentemente sem sentido, relevos que se projetam ou retraem, produzindo uma inversão na relação figura-fundo. Essas configurações determinam uma situação onde a imagem é suscetível de ser vista ora de um jeito, ora de outro. As alternâncias na percepção da imagem e do ritmo libertam a obra de um aparente repouso, fazendo sua pintura adquirir uma qualidade musical, móvel, fluida, inesperada.”

BETTS, Nancy. O lugar do inesperado. In: ÍCONE – pensamentos e ensaios de arte. Santo André: Casa do Olhar, nov. 2000. Folder.

Nancy Betts

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“As primeiras pinturas de Sacilotto, como atestam as obras das exposições Os quatro novíssimos e Dezenove pintores, apresentam figuras humanas, naturezas-mortas e paisagens de caráter expressionista. Mas a tendência para a geometrização já se faz presente no plano de fundo das telas.

[…] em inúmeras de suas composições aparece um movimento pendular que provoca uma leitura ambígua entre as relações de cheio-vazio, côncavo-convexo, positivo-negativo e figura-fundo. Essas manipulações de espaço e tempo induzem um retardamento ou uma aceleração no ritmo da obra e todo o rigor matemático é subvertido pela percepção de um efeito óptico e/ou cinético que gera movimentos e ritmos inesperados e surpreendentes. Efeitos que convocam nossa percepção e sensibilidade. O concretismo é transformado em um jogo de prazer que consiste em transgredir o calculado e, assim, ir além do previsível.

Sacilotto sempre manteve o entusiasmo e a emoção quando falava de seu processo, apesar das cinco décadas que se passaram. Uma arte atemporal […].”

BETTS, Nancy. Além do previsível. In: FIORAVANTE, Everaldo. Luiz Sacilotto segundo amigos. Diário do Grande ABC, Santo André, 16 fev. 2003. Cultura & Lazer, p. 3.

Nancy Betts

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“As primeiras pinturas de Sacilotto, como atestam as obras das exposições Os quatro novíssimos e Dezenove pintores, apresentam figuras humanas, naturezas-mortas e paisagens de caráter expressionista. Mas a tendência para a geometrização já se faz presente no plano de fundo das telas.

[…] em inúmeras de suas composições aparece um movimento pendular que provoca uma leitura ambígua entre as relações de cheio-vazio, côncavo-convexo, positivo-negativo e figura-fundo. Essas manipulações de espaço e tempo induzem um retardamento ou uma aceleração no ritmo da obra e todo o rigor matemático é subvertido pela percepção de um efeito óptico e/ou cinético que gera movimentos e ritmos inesperados e surpreendentes. Efeitos que convocam nossa percepção e sensibilidade. O concretismo é transformado em um jogo de prazer que consiste em transgredir o calculado e, assim, ir além do previsível.

Sacilotto sempre manteve o entusiasmo e a emoção quando falava de seu processo, apesar das cinco décadas que se passaram. Uma arte atemporal […].”

BETTS, Nancy. Além do previsível. In: FIORAVANTE, Everaldo. Luiz Sacilotto segundo amigos. Diário do Grande ABC, Santo André, 16 fev. 2003. Cultura & Lazer, p. 3.

Nancy Betts

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“O Concreto transformado num jogo cheio de prazer e oculta sensibilidade.

Módulos, malhas, redes, grades, tramas, progressões, matemática e geometria são os meios pelos quais Sacilotto tece um resultado onde ordem, clareza e definição são esperadas. Mas toda essa estrutura é subvertida por efeitos óticos/cinéticos que geram movimentos e ritmos inesperados.

Influenciado por Mondrian e pela Gestalt, pesquisa efeitos cambiantes de figura/fundo — a força do vazio em relação à forma. Apaixona-se por (linhas) paralelas porque estas permitiam uma leitura ambivalente da relação cheio-vazio, positivo-negativo. E é na ambivalência que está a essência do prazer, no jogo de transgredir o calculado e, deste modo, ir além do previsto.”

BETTS, Nancy. Luiz Sacilotto: estudos e desenhos. In: LUIZ Sacilotto: estudos e desenhos. Santo André: Escritório de Arte Luiz Sacilotto, 29 abr. 1998. Convite.

Nancy Betts

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“O Concreto transformado num jogo cheio de prazer e oculta sensibilidade.

Módulos, malhas, redes, grades, tramas, progressões, matemática e geometria são os meios pelos quais Sacilotto tece um resultado onde ordem, clareza e definição são esperadas. Mas toda essa estrutura é subvertida por efeitos óticos/cinéticos que geram movimentos e ritmos inesperados.

Influenciado por Mondrian e pela Gestalt, pesquisa efeitos cambiantes de figura/fundo — a força do vazio em relação à forma. Apaixona-se por (linhas) paralelas porque estas permitiam uma leitura ambivalente da relação cheio-vazio, positivo-negativo. E é na ambivalência que está a essência do prazer, no jogo de transgredir o calculado e, deste modo, ir além do previsto.”

BETTS, Nancy. Luiz Sacilotto: estudos e desenhos. In: LUIZ Sacilotto: estudos e desenhos. Santo André: Escritório de Arte Luiz Sacilotto, 29 abr. 1998. Convite.

Olívio Tavares de Araújo

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“Curiosamente, Sacilotto — talvez o menos intelectualizado do grupo — é o que continuou mais ortodoxo. Realiza uma arte de geometria rigorosa, ligada a problemas abstratos de teoria da percepção e da gestalt, discutindo efeitos ópticos, jogos entre forma e fundo, ambiguidade entre planos, e assim por diante. Sem ser propriamente fria — até porque a pessoa de Sacilotto é ameníssima, carinhosa, envolvente —, trata-se de uma pintura em que a cabeça se envolve mais que o coração. Mas o próprio Sacilotto assegura: ‘A intuição está em primeiro lugar’. Isto é: nem ele acredita em regras fixadas a priori.”

ARAÚJO, Olívio Tavares de. Com o rigor da geometria. IstoÉ, São Paulo, 27 abr. 1988.

Olívio Tavares de Araújo

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“Curiosamente, Sacilotto — talvez o menos intelectualizado do grupo — é o que continuou mais ortodoxo. Realiza uma arte de geometria rigorosa, ligada a problemas abstratos de teoria da percepção e da gestalt, discutindo efeitos ópticos, jogos entre forma e fundo, ambiguidade entre planos, e assim por diante. Sem ser propriamente fria — até porque a pessoa de Sacilotto é ameníssima, carinhosa, envolvente —, trata-se de uma pintura em que a cabeça se envolve mais que o coração. Mas o próprio Sacilotto assegura: ‘A intuição está em primeiro lugar’. Isto é: nem ele acredita em regras fixadas a priori.”

ARAÚJO, Olívio Tavares de. Com o rigor da geometria. IstoÉ, São Paulo, 27 abr. 1988.

Olívio Tavares de Araújo

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“Como bom concretista, entendia a arte como produto, não como expressão da individualidade. Queria construir formas objetivas e estáveis, não extravasar. No entanto, paradoxalmente, foi também um artista intuitivo e sensível — talvez o mais sensível do grupo todo. Se podemos usar esse termo para um pintor com seus princípios, teve até momentos de lirismo, nos anos 1950 e 1960, com certeza a despeito dele mesmo. Deixa uma obra inteligente e muito respeitável, mas — previsivelmente — não muito envolvente, não contagiante.”

ARAÚJO, Olívio Tavares de. Repercussão. In: HIRSZMAN, Maria. Morre Sacilotto, o mestre das formas e das cores. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 11 fev. 2003. Caderno 2, p. D3.

Olívio Tavares de Araújo

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“Como bom concretista, entendia a arte como produto, não como expressão da individualidade. Queria construir formas objetivas e estáveis, não extravasar. No entanto, paradoxalmente, foi também um artista intuitivo e sensível — talvez o mais sensível do grupo todo. Se podemos usar esse termo para um pintor com seus princípios, teve até momentos de lirismo, nos anos 1950 e 1960, com certeza a despeito dele mesmo. Deixa uma obra inteligente e muito respeitável, mas — previsivelmente — não muito envolvente, não contagiante.”

ARAÚJO, Olívio Tavares de. Repercussão. In: HIRSZMAN, Maria. Morre Sacilotto, o mestre das formas e das cores. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 11 fev. 2003. Caderno 2, p. D3.

Paula Caetano

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“A proposta da arte concreta brasileira é mudar a relação do espectador com o trabalho; a gente obrigatoriamente tem que ter outro olhar, um outro tempo para se relacionar com o quadro, e nisso Sacilotto foi um grande mestre. […] Ele que rompeu com a escultura tradicional, que era acrescentar ou retirar material, […] o material está todo lá. É uma chapa que ele corta e dobra, corta e dobra; é isso a escultura do Sacilotto.”

CAETANO, Paula. Depoimento. In: MEMÓRIA e contexto – Luiz Sacilotto (parte 1/4). São Paulo: Rede TVT, 2011. Disponível em:

https://www.youtube.com/watch?v=RzPx_4Z9dWI. Acesso em: mar. 2026. 1 vídeo (19 min). (1 min 30 s, 2 min 56 s). Apresentação Maria Amélia Rocha Lopes.

Paula Caetano

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“A proposta da arte concreta brasileira é mudar a relação do espectador com o trabalho; a gente obrigatoriamente tem que ter outro olhar, um outro tempo para se relacionar com o quadro, e nisso Sacilotto foi um grande mestre. […] Ele que rompeu com a escultura tradicional, que era acrescentar ou retirar material, […] o material está todo lá. É uma chapa que ele corta e dobra, corta e dobra; é isso a escultura do Sacilotto.”

CAETANO, Paula. Depoimento. In: MEMÓRIA e contexto – Luiz Sacilotto (parte 1/4). São Paulo: Rede TVT, 2011. Disponível em:

https://www.youtube.com/watch?v=RzPx_4Z9dWI. Acesso em: mar. 2026. 1 vídeo (19 min). (1 min 30 s, 2 min 56 s). Apresentação Maria Amélia Rocha Lopes.

Paula Caetano

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“Recebeu inúmeras vezes todos os estudantes que pedi e todas as crianças que buscavam conhecê-lo. O mestre dividia e multiplicava. Eles ouviam embevecidos, em silêncio profundo. Ele, com lógica e didatismo, mostrava sua obra, seus desenhos e catálogos que, antecipadamente, deixava separados.

[…] Planejamos a instalação de um Centro de Pesquisa em Arte Contemporânea em Santo André. Ele deu sua parte: presença, sabedoria, solidez, entusiasmo, lucidez, concretude ao meu pensamento e, principalmente, sua grande obra. Eu tinha de fazer a minha parte: apresentar Sacilotto à sua cidade, que tem obrigação de reconhecê-lo e orgulhar-se.”

CAETANO, Paula. Dolorosa ausência. In: FIORAVANTE, Everaldo. Luiz Sacilotto segundo amigos. Diário do Grande ABC, Santo André, 16 fev. 2003. Cultura & Lazer, p. 3.

Paula Caetano

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“Recebeu inúmeras vezes todos os estudantes que pedi e todas as crianças que buscavam conhecê-lo. O mestre dividia e multiplicava. Eles ouviam embevecidos, em silêncio profundo. Ele, com lógica e didatismo, mostrava sua obra, seus desenhos e catálogos que, antecipadamente, deixava separados.

[…] Planejamos a instalação de um Centro de Pesquisa em Arte Contemporânea em Santo André. Ele deu sua parte: presença, sabedoria, solidez, entusiasmo, lucidez, concretude ao meu pensamento e, principalmente, sua grande obra. Eu tinha de fazer a minha parte: apresentar Sacilotto à sua cidade, que tem obrigação de reconhecê-lo e orgulhar-se.”

CAETANO, Paula. Dolorosa ausência. In: FIORAVANTE, Everaldo. Luiz Sacilotto segundo amigos. Diário do Grande ABC, Santo André, 16 fev. 2003. Cultura & Lazer, p. 3.

Paulo Herkenhoff

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“O artista [Sacilotto] tem paradigmas que lhe permitem queimar etapas entre padrões geométricos, já que sua formação na Escola Profissional Masculina do Brás e na Associação Brasileira de Belas Artes não o equipava com os elementos complexos necessários à formação de um artista concreto. De certo modo, Luiz Sacilotto compunha a parte intuitiva do concretismo paulistano.”

HERKENHOFF, Paulo. Glosa 5 – Do concreto ao op: Luiz Sacilotto. In: HERKENHOFF, Paulo (cur.). Pincelada: pintura e método: projeções da década de 50. São Paulo: Instituto Tomie Ohtake, 2009. p. 245. (Meio século de arte brasileira, 1.)

Paulo Herkenhoff

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“O artista [Sacilotto] tem paradigmas que lhe permitem queimar etapas entre padrões geométricos, já que sua formação na Escola Profissional Masculina do Brás e na Associação Brasileira de Belas Artes não o equipava com os elementos complexos necessários à formação de um artista concreto. De certo modo, Luiz Sacilotto compunha a parte intuitiva do concretismo paulistano.”

HERKENHOFF, Paulo. Glosa 5 – Do concreto ao op: Luiz Sacilotto. In: HERKENHOFF, Paulo (cur.). Pincelada: pintura e método: projeções da década de 50. São Paulo: Instituto Tomie Ohtake, 2009. p. 245. (Meio século de arte brasileira, 1.)

Paulo Klein

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“Na década de 1970, editor de Arte e Cultura no Diário do Grande ABC, tive a sorte de conhecer e conviver com Luiz Sacilotto. Impressionava a densa bagagem intelectual do artista único e pioneiro, apesar de sua origem no seio da massa operária. Discorria com propriedade sobre o filósofo Ludwig Wittgenstein, o compositor Arnold Schoenberg e os concretistas históricos. Ele já era, nas artes visuais, a principal referência do concretismo paulista.”

KLEIN, Paulo. In: SACRAMENTO, Enock. Sacilotto. São Paulo: Orbitall, 2001. p. 85.

Paulo Klein

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“Na década de 1970, editor de Arte e Cultura no Diário do Grande ABC, tive a sorte de conhecer e conviver com Luiz Sacilotto. Impressionava a densa bagagem intelectual do artista único e pioneiro, apesar de sua origem no seio da massa operária. Discorria com propriedade sobre o filósofo Ludwig Wittgenstein, o compositor Arnold Schoenberg e os concretistas históricos. Ele já era, nas artes visuais, a principal referência do concretismo paulista.”

KLEIN, Paulo. In: SACRAMENTO, Enock. Sacilotto. São Paulo: Orbitall, 2001. p. 85.

Radha Abramo

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“O Panorama exemplarmente montado (como sempre são as exposições do MAM), além de propiciar uma leitura correta e harmoniosa das obras, exibe exemplares belíssimos de muitos artistas. Mas a nota especial da mostra (ela justificaria a sua própria organização) é Sacilotto. […] A sensibilidade técnica e a visão gestáltica profunda de Sacilotto compõem essas peças cinéticas, as mais extraordinárias já vistas nessa tendência artística, embora ele próprio trabalhe nela já há algumas décadas. O movimento cadenciado das formas, a velocidade das linhas e a vibração das cores montam um universo infinito de sensações visuais, criado pelo artista e em função da sensibilidade ótica do espectador.

O artista concretiza, com as obras do Panorama, o êxtase, o significado total da criação. Essas pinturas adquirem, elas próprias, uma individualidade tão contundente que poderiam afastar a fatalidade de sua relação com o homem e o universo. Elas ocupam um posto especial na ordem geral das coisas: apropriam-se de um espaço para existir como entidades únicas. Passaram pela mão do artista e se fecundaram no universo, mas têm identidade própria: são obras da arte.”

ABRAMO, Radha. Luiz Sacilotto, um astro do Panorama. Folha de S.Paulo, São Paulo, 29 set. 1979. Ilustrada, p. 29.

Radha Abramo

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“O Panorama exemplarmente montado (como sempre são as exposições do MAM), além de propiciar uma leitura correta e harmoniosa das obras, exibe exemplares belíssimos de muitos artistas. Mas a nota especial da mostra (ela justificaria a sua própria organização) é Sacilotto. […] A sensibilidade técnica e a visão gestáltica profunda de Sacilotto compõem essas peças cinéticas, as mais extraordinárias já vistas nessa tendência artística, embora ele próprio trabalhe nela já há algumas décadas. O movimento cadenciado das formas, a velocidade das linhas e a vibração das cores montam um universo infinito de sensações visuais, criado pelo artista e em função da sensibilidade ótica do espectador.

O artista concretiza, com as obras do Panorama, o êxtase, o significado total da criação. Essas pinturas adquirem, elas próprias, uma individualidade tão contundente que poderiam afastar a fatalidade de sua relação com o homem e o universo. Elas ocupam um posto especial na ordem geral das coisas: apropriam-se de um espaço para existir como entidades únicas. Passaram pela mão do artista e se fecundaram no universo, mas têm identidade própria: são obras da arte.”

ABRAMO, Radha. Luiz Sacilotto, um astro do Panorama. Folha de S.Paulo, São Paulo, 29 set. 1979. Ilustrada, p. 29.

Reynaldo Bairão

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“Sacilotto, já então ótimo desenhista, aderindo na década de 1960 a movimentos de vanguarda, como o concretismo, de que foi um dos arautos, um dos precursores e dos mais imaginosos […].”

BAIRÃO, Reynaldo. Parafraseando…. In: 19 PINTORES. São Paulo: Tema Galeria de Arte, 1968. p. 3.

Reynaldo Bairão

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“Sacilotto, já então ótimo desenhista, aderindo na década de 1960 a movimentos de vanguarda, como o concretismo, de que foi um dos arautos, um dos precursores e dos mais imaginosos […].”

BAIRÃO, Reynaldo. Parafraseando…. In: 19 PINTORES. São Paulo: Tema Galeria de Arte, 1968. p. 3.

Theon Spanudis

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“Por esta razão, ele [Mondrian] reduziu também o uso das cores às três primárias e aos brancos, pretos e cinzas. Nesta linha de epoché subjetiva e completo serviço desinteressado à realização daquilo que apareceu, e aparentemente se desenrola sozinho, se insere também o trabalho de Luiz Sacilotto, um trabalho no qual o criador desaparece por completo atrás da obra emancipada e realizada.

Seu amadurecimento se deu após alguns anos de inatividade, quando seu caminho de disciplina ascética e impessoal foi traçado definitivamente, produzindo trabalhos bem diferentes dos anteriores, muito mais lúdicos, ingênuos com o frescor da juventude. Agora, ele chegou a uma severidade clássica, a uma concentração do essencial, a uma economia tão densa que intensifica a vitalidade e dinâmica da obra, a uma pureza e singeleza que não conhecem nada de supérfluo e arbitrário, e que poderíamos perfeitamente chamar de espiritualidade do essencial.

[…].

Dentro deste rico panorama [de artistas], Sacilotto representa o ponto mais alto do concretismo brasileiro. Um concretismo sério, singelo, altamente espiritualizado. […].

Uma obra que provoca reverência e admiração pela sua finura e desenvolvimento sistemático. O fruto maduro de toda uma vida de sacrifício desinteressado, o fruto de uma opção definitiva do seu temperamento tão humano, humilde e ofertante ao serviço de algo superior a ele.”

SPANUDIS, Theon. O caráter transpessoal da obra de Luiz Sacilotto. In: L. SACILOTTO: obras dos últimos 5 anos. São Paulo: Cosme Velho Galeria de Arte, 1982. Folder.

Theon Spanudis

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“Por esta razão, ele [Mondrian] reduziu também o uso das cores às três primárias e aos brancos, pretos e cinzas. Nesta linha de epoché subjetiva e completo serviço desinteressado à realização daquilo que apareceu, e aparentemente se desenrola sozinho, se insere também o trabalho de Luiz Sacilotto, um trabalho no qual o criador desaparece por completo atrás da obra emancipada e realizada.

Seu amadurecimento se deu após alguns anos de inatividade, quando seu caminho de disciplina ascética e impessoal foi traçado definitivamente, produzindo trabalhos bem diferentes dos anteriores, muito mais lúdicos, ingênuos com o frescor da juventude. Agora, ele chegou a uma severidade clássica, a uma concentração do essencial, a uma economia tão densa que intensifica a vitalidade e dinâmica da obra, a uma pureza e singeleza que não conhecem nada de supérfluo e arbitrário, e que poderíamos perfeitamente chamar de espiritualidade do essencial.

[…].

Dentro deste rico panorama [de artistas], Sacilotto representa o ponto mais alto do concretismo brasileiro. Um concretismo sério, singelo, altamente espiritualizado. […].

Uma obra que provoca reverência e admiração pela sua finura e desenvolvimento sistemático. O fruto maduro de toda uma vida de sacrifício desinteressado, o fruto de uma opção definitiva do seu temperamento tão humano, humilde e ofertante ao serviço de algo superior a ele.”

SPANUDIS, Theon. O caráter transpessoal da obra de Luiz Sacilotto. In: L. SACILOTTO: obras dos últimos 5 anos. São Paulo: Cosme Velho Galeria de Arte, 1982. Folder.

Valter Sacilotto

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“No decorrer dos anos 40, seus desenhos e pinturas expressionistas foram evoluindo do comportado para traços e pinceladas agressivos, formas anguladas e abertas, cores fortes e contrastantes.

As primeiras experiências abstrato-geométricas datam de 47, época em que passou a pesquisar e trabalhar com diversos suportes e materiais (madeira, fibra de cimento, tinta e esmalte). No início dos anos 50, suas obras, já concretas, possuíam uma enorme economia de formas e cores. Na metade desta década, desenvolve relevos e esculturas de corte e dobra em ferro, alumínio e latão.

Sacilotto continuou desenvolvendo com simplicidade, porém com mais requinte, uma obra estruturada e sempre inquisitória, na qual nada é gratuito ou aleatório, organizando o espaço com formas elementares, ambiguidade do ausente e do presente, do positivo e do negativo, do cheio e do vazio, fluxos de luz e sombra. Usando com elegância e sabedoria a seriação com progressões, giros e tridimensionalidade no plano. O resultado é de uma grande complexidade, criando movimento, pulsações, ritmos, profundidade, curvas onde só existem retas, configurações orgânicas que surpreendem a própria matriz.

Foi um precursor, e é considerado o artista mais concreto dos concretos, preservando a expressão em suas construções.”

SACILOTTO, Valter. Luiz Sacilotto. In: COUTO, Ronaldo Graça (coord.). Arte e artistas plásticos no Brasil 2000. São Paulo: Metalivros, 2000. p. 140.

Valter Sacilotto

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“No decorrer dos anos 40, seus desenhos e pinturas expressionistas foram evoluindo do comportado para traços e pinceladas agressivos, formas anguladas e abertas, cores fortes e contrastantes.

As primeiras experiências abstrato-geométricas datam de 47, época em que passou a pesquisar e trabalhar com diversos suportes e materiais (madeira, fibra de cimento, tinta e esmalte). No início dos anos 50, suas obras, já concretas, possuíam uma enorme economia de formas e cores. Na metade desta década, desenvolve relevos e esculturas de corte e dobra em ferro, alumínio e latão.

Sacilotto continuou desenvolvendo com simplicidade, porém com mais requinte, uma obra estruturada e sempre inquisitória, na qual nada é gratuito ou aleatório, organizando o espaço com formas elementares, ambiguidade do ausente e do presente, do positivo e do negativo, do cheio e do vazio, fluxos de luz e sombra. Usando com elegância e sabedoria a seriação com progressões, giros e tridimensionalidade no plano. O resultado é de uma grande complexidade, criando movimento, pulsações, ritmos, profundidade, curvas onde só existem retas, configurações orgânicas que surpreendem a própria matriz.

Foi um precursor, e é considerado o artista mais concreto dos concretos, preservando a expressão em suas construções.”

SACILOTTO, Valter. Luiz Sacilotto. In: COUTO, Ronaldo Graça (coord.). Arte e artistas plásticos no Brasil 2000. São Paulo: Metalivros, 2000. p. 140.

Waldemar Cordeiro

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“Um dos pioneiros do concretismo no Brasil é Luiz Sacilotto, que integra o reduto dos artistas novos, cuja valiosa colaboração à cultura contemporânea é amplamente reconhecida.

[…]

Em Sacilotto, o movimento é alcançado mediante a intermitência entre fundo e figura, com elementos iguais e distâncias iguais entre si. A adoção do círculo como elemento pode resultar em conjuntos aparentemente orgânicos. Mas nada têm a ver esses conjuntos com as amebas do abstracionismo. O rigor da composição é o mesmo e a precisão do elemento, igual à do quadrado.”

CORDEIRO, Waldemar. Arte industrial. In: CORDEIRO, Analivia (org. e texto); MACHADO, Arlindo; COCCHIARALE, Fernando (cur. e textos). Waldemar Cordeiro: fantasia exata. São Paulo: Itaú Cultural, 2014. p. 200, 228.

Waldemar Cordeiro

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“Um dos pioneiros do concretismo no Brasil é Luiz Sacilotto, que integra o reduto dos artistas novos, cuja valiosa colaboração à cultura contemporânea é amplamente reconhecida.

[…]

Em Sacilotto, o movimento é alcançado mediante a intermitência entre fundo e figura, com elementos iguais e distâncias iguais entre si. A adoção do círculo como elemento pode resultar em conjuntos aparentemente orgânicos. Mas nada têm a ver esses conjuntos com as amebas do abstracionismo. O rigor da composição é o mesmo e a precisão do elemento, igual à do quadrado.”

CORDEIRO, Waldemar. Arte industrial. In: CORDEIRO, Analivia (org. e texto); MACHADO, Arlindo; COCCHIARALE, Fernando (cur. e textos). Waldemar Cordeiro: fantasia exata. São Paulo: Itaú Cultural, 2014. p. 200, 228.

Waldemar Cordeiro

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“O ataque [crítica realizada por Ferreira Gullar] a Sacilotto me dá a oportunidade de mostrar uma relação efetiva entre um concreto e um neoconcreto. Comparem as perspectivas axonométricas, no sentido de [Josef] Albers, que Lygia Clark fazia dois anos atrás, com as esculturas que a mesma está fazendo agora. E descobrirão a técnica, o material e a concepção de Sacilotto reduzidos à mecanicidade da simetria bilateral, com uma ‘inovação’ — que é de [Alexander] Calder e outros —: a dobradiça. No entanto, por um passe de mágica, efetuado dentro da melhor retórica, o primeiro é um esgotado, e a segunda, uma neo.”

CORDEIRO, Waldemar. Neoretórica. In: CORDEIRO, Analivia (org. e texto); MACHADO, Arlindo; COCCHIARALE, Fernando (cur. e textos). Waldemar Cordeiro: fantasia exata. São Paulo: Itaú Cultural, 2014. p. 240.

Waldemar Cordeiro

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“O ataque [crítica realizada por Ferreira Gullar] a Sacilotto me dá a oportunidade de mostrar uma relação efetiva entre um concreto e um neoconcreto. Comparem as perspectivas axonométricas, no sentido de [Josef] Albers, que Lygia Clark fazia dois anos atrás, com as esculturas que a mesma está fazendo agora. E descobrirão a técnica, o material e a concepção de Sacilotto reduzidos à mecanicidade da simetria bilateral, com uma ‘inovação’ — que é de [Alexander] Calder e outros —: a dobradiça. No entanto, por um passe de mágica, efetuado dentro da melhor retórica, o primeiro é um esgotado, e a segunda, uma neo.”

CORDEIRO, Waldemar. Neoretórica. In: CORDEIRO, Analivia (org. e texto); MACHADO, Arlindo; COCCHIARALE, Fernando (cur. e textos). Waldemar Cordeiro: fantasia exata. São Paulo: Itaú Cultural, 2014. p. 240.

Waldemar Cordeiro

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“A ideologia concreta se insere dialeticamente na realidade em movimento, tendo produzido várias formas de arte, desempenhando um papel vital mesmo neste momento em que, sob o pretexto da condenação da cultura de massa burguesa, posições artísticas anacrônicas são reeditadas. Luiz Sacilotto, desde o início, é viga mestra da arte concreta.

A Sala Especial de Luiz Sacilotto tem caráter retrospectivo, também reunindo pinturas e desenhos anteriores ao salto concreto. É a biografia visível do artista. É também a expressão de um processo quantitativo e qualitativo marcado pela coerência. Coerência ideológica no tempo, e não mera coerência de estilo.”

CORDEIRO, Waldemar. O realismo concreto de Luiz Sacilotto. Diário do Grande ABC – News Seller, Santo André, 15 dez. 1968. 4º caderno, p. 43.

Waldemar Cordeiro

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“A ideologia concreta se insere dialeticamente na realidade em movimento, tendo produzido várias formas de arte, desempenhando um papel vital mesmo neste momento em que, sob o pretexto da condenação da cultura de massa burguesa, posições artísticas anacrônicas são reeditadas. Luiz Sacilotto, desde o início, é viga mestra da arte concreta.

A Sala Especial de Luiz Sacilotto tem caráter retrospectivo, também reunindo pinturas e desenhos anteriores ao salto concreto. É a biografia visível do artista. É também a expressão de um processo quantitativo e qualitativo marcado pela coerência. Coerência ideológica no tempo, e não mera coerência de estilo.”

CORDEIRO, Waldemar. O realismo concreto de Luiz Sacilotto. Diário do Grande ABC – News Seller, Santo André, 15 dez. 1968. 4º caderno, p. 43.

Walter Zanini

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“[Sacilotto] está entre os artistas paulistas da novíssima geração que, a exemplo do que hoje acontece em várias partes do mundo, lutam tenazmente pela criação de um estilo pictórico que marque a nossa época no futuro.

Pertencente à corte, cada vez mais numerosa, dos pintores concretistas, traçou-se rigoroso esquema de pesquisas, dentro dessa orientação, que, para uns, não passa de mero e inútil esoterismo, enquanto para outros é sintoma claro de nova fase na história das artes plásticas.

Dentro desse esquema, vem procurando uma criação individual e livre, embora não se tenha ainda emancipado dos mestres que exercem influência sobre o organismo jovem de sua pintura. Mondrian, Van Doesburg e outros valores do neoplasticismo estão entre aqueles cujas obras incitaram nele esse apego à pintura bidimensional, ou seja, à pintura que volta a ser uma composição na superfície.”

ZANINI, Walter. Das plantas de arquitetura ao concretismo. Tribuna da Imprensa, Rio de Janeiro, 5 mar. 1953. n.p.

Walter Zanini

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“[Sacilotto] está entre os artistas paulistas da novíssima geração que, a exemplo do que hoje acontece em várias partes do mundo, lutam tenazmente pela criação de um estilo pictórico que marque a nossa época no futuro.

Pertencente à corte, cada vez mais numerosa, dos pintores concretistas, traçou-se rigoroso esquema de pesquisas, dentro dessa orientação, que, para uns, não passa de mero e inútil esoterismo, enquanto para outros é sintoma claro de nova fase na história das artes plásticas.

Dentro desse esquema, vem procurando uma criação individual e livre, embora não se tenha ainda emancipado dos mestres que exercem influência sobre o organismo jovem de sua pintura. Mondrian, Van Doesburg e outros valores do neoplasticismo estão entre aqueles cujas obras incitaram nele esse apego à pintura bidimensional, ou seja, à pintura que volta a ser uma composição na superfície.”

ZANINI, Walter. Das plantas de arquitetura ao concretismo. Tribuna da Imprensa, Rio de Janeiro, 5 mar. 1953. n.p.

Walter Zanini

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“Deste artista nascido em Santo André (SP), as primeiras incursões abstratas, no desenho a nanquim e na monotipia, remontam a 1947, logo após a mostra dos ‘19’. Toda a sua decidida fase expressionista anterior era então repentinamente encerrada, sendo (a interrupção) um excelente exemplo que se pode citar sobre o novo e brusco ciclo de arte inaugurado no país. Pelos anos 1948-51, Sacilotto atravessou um período de tateamentos pictóricos com soluções formais próximas do cubismo e de Mondrian. Em 1952 ele assinaria o Manifesto Ruptura, sendo desde então membro saliente do movimento concreto e alinhando-se com Cordeiro.

Para a definição do espírito construtivo de sua arte, desenvolvida em amplo espectro de materiais e técnicas, concorreu a parcela da experiência que adquiriu exercendo funções de desenhista técnico. […] Sua obra, das mais despojadas e das mais sensíveis de todo o grupo, entreviu desde logo a qualidade serial e descobriu as possibilidades da vibração op, assim como contidos espaços — formas de preocupação gestaltiana. Em recente fase aproximou-se demasiadamente das soluções de Vasarely.”

ZANINI, Walter. Arte concreta e neoconcreta no Brasil. In: ZANINI, Walter (coord. ed.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Instituto Walther Moreira Salles: Fundação Djalma Guimarães, 1983. v. 2, p. 663-664.

Walter Zanini

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“Deste artista nascido em Santo André (SP), as primeiras incursões abstratas, no desenho a nanquim e na monotipia, remontam a 1947, logo após a mostra dos ‘19’. Toda a sua decidida fase expressionista anterior era então repentinamente encerrada, sendo (a interrupção) um excelente exemplo que se pode citar sobre o novo e brusco ciclo de arte inaugurado no país. Pelos anos 1948-51, Sacilotto atravessou um período de tateamentos pictóricos com soluções formais próximas do cubismo e de Mondrian. Em 1952 ele assinaria o Manifesto Ruptura, sendo desde então membro saliente do movimento concreto e alinhando-se com Cordeiro.

Para a definição do espírito construtivo de sua arte, desenvolvida em amplo espectro de materiais e técnicas, concorreu a parcela da experiência que adquiriu exercendo funções de desenhista técnico. […] Sua obra, das mais despojadas e das mais sensíveis de todo o grupo, entreviu desde logo a qualidade serial e descobriu as possibilidades da vibração op, assim como contidos espaços — formas de preocupação gestaltiana. Em recente fase aproximou-se demasiadamente das soluções de Vasarely.”

ZANINI, Walter. Arte concreta e neoconcreta no Brasil. In: ZANINI, Walter (coord. ed.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Instituto Walther Moreira Salles: Fundação Djalma Guimarães, 1983. v. 2, p. 663-664.
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